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Origem e significado do lema da Família Salesiana

26 de agosto de 2014
Published in Artigos, Notícias

Dom Bosco conta na vida de São Domingos Sávio que ele, depois de chegar ao Oratório, em outubro de 1854, foi ao seu escritório. “Ao entrar, o seu olhar fixou-se logo num cartaz onde estão escritas em grandes caracteres as seguintes palavras, frequentemente repetidas por São Francisco de Sales: Da mihi animas, cetera tolle. Leu-as com atenção e eu desejava que compreendesse o seu significado. Por isso convidei-o, melhor, ajudei-o a traduzi-las e a extrair o seu sentido: Ó Senhor, dai-me almas, e ficai com o resto”.

Sempre fiquei muito curioso para saber de onde Dom Bosco tinha copiado esta frase, que segundo ele mesmo diz no texto acima, era “frequentemente repetida por São Francisco de Sales”. Embora seja um texto do livro do Gênesis (14, 21), com certeza não foi da Bíblia que ele copiou, pois abaixo das palavras, no cartaz que Sávio leu, ele escreveu “San Francesco di Sales”, como pode ser visto ainda hoje nos museus do quarto de Dom Bosco em Turim.

Origem do lema

Influenciado por São José Cafasso, seu confessor e grande amigo, Dom Bosco escolheu São Francisco de Sales para ser o padroeiro do Oratório e depois da Sociedade que ele fundou. Cafasso o influenciou para que escolhesse o mote “da mihi animas, cetera tolle” como lema para o seu sacerdócio. Mas onde em seus inumeráveis escritos, São Francisco de Sales cita ou escreve sobre esta frase? Infelizmente em nenhum deles. Embora esta mística esteja presente em todos os seus escritos, na pastoral e no acompanhamento espiritual, na vida toda dele, diríamos.

A frase foi escrita em um pequeno livro de autoria de Dom João Pedro Camus, intitulado: O Espírito de São Francisco de Sales. Camus era bispo de Belley (França) e vizinho de São Francisco de Sales. Os dois foram grandes amigos e se visitavam com frequência. São Francisco o chamava de “filho”, pois foi o único bispo que ele ordenou, como sagrante. Como era um livro muito popular e muito difundido naquela época, com certeza Dom Bosco o leu e retirou a frase do Conselho nº 73. Eis o texto de Camus, que tem como título “um lema famoso”. “Nosso santo tinha por lema aquelas palavras de Abraão: dai-me almas e ficai com o resto. Quando Abraão venceu cinco reis que atacaram Sodoma, lhe ofereceram para que ficasse com o imenso botim conquistado e ele disse: ‘o que me importa são as pessoas. Os bens materiais podem ficar com eles.’ Esta bela resposta a tomou como lema seu o santo de Sales, e na verdade, em tudo o que fazia lhe importava era salvar as almas e não obter ou conseguir bens materiais”.

Espiritualidade da Família Salesiana

É costume na história da Igreja que as congregações tenham a própria missão sintetizada numa pequena frase. Assim, aquilo que resume a espiritualidade da Família Salesiana de Dom Bosco é o “da mihi animas, cetera tolle”. Em uma tradução bem livre, poderíamos dizer assim: “Entrega-me as pessoas e fica com o resto”. Segundo o padre Pascual Chávez, Dom Bosco dá uma interpretação pessoal a este mote dentro da visão religioso-cultural da sua época. Ele diz que “alma é a qualidade espiritual do homem, centro da sua liberdade e razão, da sua dignidade, espaço da sua abertura para Deus. Então, ‘animas’ são os jovens concretos com os quais se encontra; ‘cetera tolle’ significa o desapego das coisas e criaturas”.

Era justamente assim que pensava também São Francisco de Sales. Para ele o bom bispo deveria entregar a administração dos bens materiais (= o resto) para pessoas competentes, para bons administradores e ele, como bispo, ficaria com o pastoreio das pessoas, pois, na sua visão, “uma só alma seria uma diocese bastante para um Bispo”. Como diz Chávez, “a caridade pastoral leva em consideração a pessoa e dirige-se a toda pessoa; interessa, antes e principalmente a pessoa, para desenvolver seus recursos. Dar ‘coisas’ vem depois”.

Viver o lema de Dom Bosco

Nós hoje, na Família Salesiana de Dom Bosco, poderemos e deveremos viver o espírito do “da mihi animas, cetera tolle” nos encontrando diariamente com Deus, sendo alegres e otimistas diante da vida, vivendo uma espiritualidade da amizade e da relação pessoal com o Senhor Jesus. Na Carta de Identidade Carismática da Família Salesiana, padre Pascual diz que a “comunhão, a mística de Dom Bosco encontra expressão no lema ‘da mihi animas, cetera tolle’ e identifica-se com o êxtase da ação de S. Francisco de Sales. É a mística do trabalho cotidiano, em sintonia de pensamento, sentimento e vontade de Deus. As necessidades dos irmãos, sobretudo jovens, e as preocupações apostólicas convidam à oração, enquanto a oração constante alimenta o generoso e sacrificado trabalho com Deus pelo bem dos irmãos”.

“Quando fui consagrado bispo, Deus me tirou de mim mesmo para arrebatar-me a Ele e, em seguida, me deu ao povo; ou seja, me mudou para que, o que eu era para mim, o fosse para eles”. Esta é a mística do “da mihi animas” vivido por São Francisco de Sales, que Dom Bosco nos deixou como legado à sua grande Família.

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