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A centralidade da pessoa e das relações humanas na comunicação

27 de novembro de 2020

Mensagem do Pe. Gildásio Mendes, Conselheiro para a Comunicação Social – Dicastério da Comunicação, para o mês de novembro.

 

O P. Àngel Fernàndez Artime, na Proposta Programática do Reitor Mor à Congregação Salesiana após o Capítulo Geral 28 nos convida a assumirmos juntos a comunicação como vivência do “sacramento salesiano” da presença na cultura juvenil dos nossos tempos.

O que significa para nós, educadores comunicadores, esta proposta para nosso trabalho com os jovens nas nossas Obras, nos diversos setores de comunicação como as Rádios, o Boletim Salesiano, os Sites, as Redes Sociais, as Editoras, os Jornais e outras iniciativas que realizamos no campo da comunicação?

A palavra sacramento refere-se à dimensão do sagrado, do sinal visível de uma realidade invisível. A presença como sacramento de comunicação nos remete à encarnação do Verbo que se fez presença visível de Deus entre nós.

Deus nos manifesta este amor de modo concreto através da encarnação do seu Filho: “…E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. ( Jo 1,14).

A comunicação tem a sua raiz vital no Verbo Comunicador de Deus. O Verbo é a fonte da vida, inserido de modo visível na História da Salvação. A comunicação é fundamentalmente a presença da pessoa divina na história humana: Jesus Cristo, o Verbo encarnado, é amor, relação, palavra, linguagem, símbolo, escuta, encontro e fraternidade.

Através da encarnação do Verbo de Deus, recebemos o dom da liberdade de comunicar, de criar, de inovar, de dar continuidade ao projeto da criação da comunicação de Deus.

Como co-autores da comunicação do projeto de Deus, temos a responsabilidade de construir relações que geram vidas, que promovem liberdades, que se comprometem com a realidade concreta das pessoas nas suas comunidades e no mundo.

O verbo habitar tem um significado muito importante no coração da proposta salesiana: estar presente, acolher e caminhar juntos com os jovens.

A presença alegre e gratuita no meio dos jovens exige uma pergunta fundamental para nós.

Quem é a pessoa que está presente e comunica com eles e para eles?

O salesiano, com sua identidade de consagrado, discípulo do Senhor, é o comunicador da alegria e do otimismo porque segue e ama Jesus Cristo, o Comunicador do Pai.

A identidade de salesiano, de comunicador educador dos jovens, faz com que sejamos sinais visiveis do amor de Deus para os jovens, comunicadores com o coração do bom pastor.

A identidade do comunicador salesiano tem sua fonte na paternidade espiritual de Dom Bosco vivida em Valdocco. Como Dom Bosco, comunicamos com estilo salesiano, com a bondade, com abertura de coração, com respeito, com simplicidade e alegria.

Viver o “sacramento salesiano” da presença na comunicação é uma atitude constante de conversão pastoral e de discernimento, de diálogo e atualização com a linguagem e o mundo dos jovens.

Por isso, comunicar no habitat juvenil é escutar, dialogar, discernir, de modo pessoal e comunitário, para que a comunicação se torne um modo de ser da comunidade educativa e da família.

Viver o sacramento salesiano da presença na comunicação é um convite para conhecermos melhor o ecossistema juvenil, suas linguagens, seus símbolos, seu modo interativo, instantâneo e protagonista de comunicar.

A comunicação é um modo de viver a espiritualidade salesiana através das relações educativas, do acompanhamento, da formação, da busca do sentido da vida e do compromisso com a construção de uma sociedade mais humana e solidária.

O Papa Francisco, na sua carta ao Reitor Mor, P. Àngel Fernàndez, no bicentenário do nascimento de São João Bosco, 24 de junho de 2015, apresentou de forma brilhante este desafio:

“Educar segundo a antropologia cristã, à linguagem dos novos meios de comunicação e das redes sociais, que plasmam profundamente os códigos culturais dos jovens, e, portanto, a visão da realidade humano-religiosa”.

Os códigos culturais dos jovens são uma linguagem e um modo de comunicar e viver. Estes códigos comunicativos estão associados aos rituais ordinários da vida: estudar, alimentar, reunir-se com a família, relacionar com os amigos, interagir online, praticar esportes, escutar musica, rezar, celebrar os rituais das dores (o sofrimento, a perda, a doença, a morte) e das alegrias (a saúde, os amigos, o trabalho, o divertimento, o serviço aos outros, a alegria, a vida cristã).

Os rituais dos jovens acontecem na ordinariedade da vida, no ambiente sem fronteiras das relações humanas, nos ecossistemas culturais do dia a dia.

Através destes rituais, os jovens criam sempre novas linguagens, transformando-as em novos códigos e imergindo suas vidas nos ambientes comunicativos, na redes interativas e digitais.

Por isso, vivemos e educamos nos ecossistemas juvenis, nos ambientes humanos e culturais integrados e sistêmicos, onde a vivência do “sacramento salesiano” da presença se manifesta na comunicação da centralidade da pessoa e nas relações humanas e cristãs.

Nesta relação educativa, somos sempre educadores comunicadores porque caminhamos e amamos os nossos jovens, onde eles se encontram e nos esperam com o coração do bom pastor.

 

Por: P. Gildásio Mendes dos Santos – SDB

Conselheiro para a Comunicação Social

 

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