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Salesianos celebram 46 anos do martírio de P. Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo – Parte 2

14 de julho de 2022

Nesta segunda parte do artigo escrito pelo P. Gonzalo Ochoa, conhecemos um pouco mais da caminhada formativa do Servo de Deus, P. Rodolfo Lunkenbein. A formação salesiana recebida fortaleceu o espírito missionário que o levou a entrega total da sua vida por amor a Deus.

 

Meruri — No começo de 1963, o jovem Rodolfo é destinado para iniciar o seu primeiro período de vida missionária na Missão Salesiana de Meruri. Homem já feito, com 24 anos de idade, cheio de qualidades e difundindo alegria e otimismo, enfrentou a realidade tal como a encontrou em Meruri, como assistente e professor em uma escola na qual a maior parte dos alunos eram meninos internos e externos, filhos de moradores brancos da região. A aldeia bororo era pequena e, perto da aldeia, havia uma corruptela de moradores brancos, que estavam lá para colocar os seus filhos externos na escola. Rodolfo atendia a todos com a mesma bondade, muito bem relacionado e estimado pelos seus colegas de missão. Todo mundo ficava encantado com o comportamento e a riqueza moral, a alegria e a capacidade de serviço desse jovem missionário.

Para sempre — Na mesma missão de Meruri, em 1º de maio de 1965, o então Clérigo Rodolfo fez o pedido para a profissão perpétua, expressando “firme vontade de consagrar-se para sempre a Deus e trabalhar, mais tarde como Sacerdote, por toda a sua vida na Congregação Salesiana, especialmente nas missões indígenas”.

“Ide pelo mundo inteiro e ensinai a todos os povos’. Isto valeu não somente no tempo de Cristo, mas também agora, e é tão urgente como nunca”. Estas palavras de Rodolfo dirigidas a seus pais para obter a licença de ser missionário ‘ad Gentes’ são a expressão da visão evangélica de Rodolfo Lunkenbein como cristão, como seminarista salesiano e como sacerdote missionário ‘ad Gentes’.

Teologia — Fez seus estudos teológicos no Instituto Teológico de Benediktbeuern, Alemanha, de 1965-1969, logo após o Concílio Vaticano II, cujos documentos influíram na sua atuação missionária entre os indígenas de Mato Grosso, principalmente com os bororo de Meruri. Nesse período também aproveitou os tempos de férias para fazer um curso de medicina tropical e até um curso de piloto, sempre pensando na realidade que conheceu na sua primeira atuação missionária com os bororo e os seus vizinhos, os xavante.

Retorno — Voltando a Meruri como padre novo, no início de 1970, encontra uma nova realidade. Em Meruri agora estão só os bororo que ele já conhecia e mais um grupo de bororo vindos da aldeia Pobojari, onde tinham perdido suas terras. Estes ainda conservam a língua e a cultura.

Todos o recebem com muito carinho, fazendo-lhe uma bela recepção cultural e aceitando-o na tribo com o nome de Koge Ekureu (Peixe Dourado).

É admirável o respeito com que os missionários e concretamente o Padre Rodolfo trataram estes dois pequenos grupos, num estágio tão diferente de cultura e de vivência religiosa, respeitando a caminhada histórica de cada um e facilitando entre eles o enriquecimento mútuo num diálogo intercultural e inter-religioso construtivo, na vida prática e celebrativa dos dois grupos.

Neste conhecimento da riqueza das culturas indígenas e do perigo de extinção em que os povos indígenas se encontravam, pela acelerada perda de seus territórios, todos os missionários que com eles trabalham sentem a necessidade de se organizar para, em seu compromisso evangélico de salvação, ajudar as nações indígenas a reverter esta situação, em uma aliança pela vida, mesmo com o sacrifício da própria. Mas este sacrifício não é um suicídio para que os outros morram; é a aceitação de uma oblação redentora pela vida dos outros, sem violência, sem machucar ninguém, antes perdoando como no Calvário, como em Meruri, como em Ribeirão Bonito, e como em todos os lugares onde um filho ou uma filha de Deus dá a sua vida para que no mundo haja mais vida.

Sobre a atuação do Padre Rodolfo como missionário: ninguém melhor que Dom Pedro Casaldáliga poderia no-lo descrever:

Eu tenho a impressão clara, convicta, de que o Padre Rodolfo foi o missionário ‘ad Gentes’ completo e, concretamente, missionário ad Gentes do Terceiro Mundo, dos pobres, dos povos indígenas. Ele se doou totalmente; se encarnou e doou todas as suas capacidades espirituais, técnicas, o seu jeito, o seu sorriso, o seu olhar transparente, o coração grande, como o próprio corpo. Uma dedicação sempre esperançada. O Padre Rodolfo não conhecia o desânimo, não conhecia rupturas na sua dedicação. Pelo menos, sempre que o encontrei, o encontrei com uma capacidade de superar, de olhar para frente. Nas Assembleias, nas reuniões, era um toque de paz, de respaldo, de animação.

É muito significativo também, um caso emblemático, histórico, que em Meruri, naquela hora gloriosa, martirial, ele, missionário, deu a vida pelo índio, pelos povos indígenas, e o índio Simão Bororo, os povos indígenas, deram a vida pelo missionário. O Padre Rodolfo assumiu a prospectiva, a metodologia, o ideário do CIMI, com muita generosidade, sabendo dar a passagem de uma formação relativamente tradicional para todos nós, como era próprio da época, para uma visão mais propriamente atualizada Ad Gentes, em termos de inculturação, de diálogo cultural e até religioso com esses povos indígenas.

Deu a vida numa atitude de força e de esperança martirial. Penso que sua beatificação e canonização seriam emblemáticas para a pastoral indígena e extra-indígena” (Cfr. Entrevista do Mestre Mário Bordignon com Dom Pedro Casaldáliga sobre o Padre Rodolfo. São Félix, 21/07/2006).

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