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8 de dezembro: Aniversário do Oratório Salesiano

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A tradição salesiana recorda o dia 8 de dezembro de 1841 como o dia do nascimento do seu oratório, ou da missão salesiana. O próprio Dom Bosco institucionalizou essa data, declarando com convicção: “Todas as nossas grandes iniciativas começaram no dia da Imaculada Conceição”.

De acordo com o fato, que a maioria já conhece, Dom Bosco estava a se preparar para celebrar a Missa no dia de Nossa Senhora Imaculada, na Igreja de São Francisco de Assis, em Turim. Era sacerdote havia somente quatro meses. E ainda buscava como realizar o sonho que tivera aos nove anos – um sonho que o acompanharia por toda a vida, um sonho que lhe guiaria o conceito de cuidado e de educação de jovens, numa atmosfera de amor e alegria.

Assim, pois, há 182 anos, quando a formação de um grupo de jovens para se dedicar aos seus cuidados ainda era apenas uma esperança, aconteceu que Dom Bosco ouviu um grande barulho vindo da igreja, de que era responsável: descobriu o sacristão a perseguir um garoto, com uma vassoura! Embora nunca o tivesse visto antes, percebeu que o jovem em apuros precisava de apoio e incentivo. O garoto não estava ali para ajudar ou ouvir missa, mas para se abrigar do frio do inverno de Turim (pelo menos na igreja havia um pouco de calor!). O sacristão, piedoso, mas um tanto rígido, não conseguia superar a coisa: o rapaz devia de ser punido.

– “Isso é jeito de se tratar a um bom amigo meu?” –  perguntou Dom Bosco ao constrangido sacristão na presença do menino desnorteado. Alguns eminentes historiadores salesianos veem no caso a formação de um paradigma que identifica todos os jovens a que o nosso Fundador procurou chegar naqueles primeiros dias; o menino – “Bartolomeu Garelli” – é apresentado como um seu “retrato” deles.

A abordagem de Dom Bosco é fundamental. O encontro de Bartolomeu com Dom Bosco reflete uma realidade que deve ser imitada e deve se tornar um exemplo. Dom Bosco toma a iniciativa: não se importa com o fato de esse jovem não estar ali para ajudar à missa ou cantar no coral. Dom Bosco era capaz de boas-vindas, de hospitalidades. Durante a conversa, Dom Bosco descobriu que Bartolomeu estava angustiado por sua condição: era um sem-teto, pobre, não tinha comida ou roupa adequada, e não tivera instrução regular. A sociedade não estava nem ali pelo rapaz: pelas ruas de Turim, ele partilhava uma existência de dificuldades com milhares de pessoas nas mesmas condições. Em Bartolomeu, Dom Bosco nunca viu os aspectos negativos: foi em busca do talento profundamente oculto de que ele dispunha e optou por concentrar-se nele e aproveitá-lo ao máximo. Ao detectar os aspectos positivos, Bartolomeu conseguiu perceber  imediatamente que sua vida não era um… fracasso.

Nesse simples encontro, em dia tão importante, há 182 anos, Dom Bosco mostrou a disposição de compartilhar sua sabedoria e ouvir o sonho do jovem. Infelizmente, o sacristão demonstrara uma atitude, muito comum no mundo de hoje: ‘Se você não conseguir o que quer, tornar-se-á prepotente. Gritará. Passará facilmente a atitudes violentas… Dom Bosco iniciou sua missão naquele dia. Depois da missa, serenado o ânimo do jovem, chegaram a fazer juntos uma prece: rezaram a “Ave-Maria”… Dom Bosco iniciara o Oratório! Todos os anos, agora e para sempre, a prece se repete pela boca de milhões de jovens AMIGOS de Dom Bosco em todo o mundo.

Dom Bosco usou o modelo de “acompanhamento” de Jesus que é claramente inferido na História da ressurreição do “Caminho de Emaús”. No caminho de Emaús, os discípulos estão tão aflitos, e não conseguem reconhecer o Senhor Ressuscitado. Jesus aproveita do fato para ajudá-los a entender o que a morte e a nova vida significam para Ele e para a comunidade cristã nascente. O fato de caminharem – juntos – faz com que os Discípulos convidem Jesus a deter-se com eles, em casa. Dom Bosco reconheceu, nesse encontro amigo do Senhor, o seu próprio modelo de encontro com os jovens sem instrução e espiritualmente analfabetos com os quais fora chamado a trabalhar.

Dom Bosco ouviu os jovens para identificar seus sonhos e aspirações para o futuro; e trabalhou para garantir que eles fossem acompanhados, cuidados e incentivados a desenvolver o seu potencial positivo recebido de Deus. Esse é o modelo que Dom Bosco nos oferece. Todos os nossos esforços para acompanhar, educar e capacitar os jovens se hão de caracterizar por essa atitude de acolhimento, escuta aberta e compreensão, aceitando o jovem sem preconceitos. Neste ‘Aniversário do Oratório salesiano’, é preciso comunicar aos jovens que os escutamos e confiamos neles. A identidade do Oratório Salesiano e a sua Missão estão nas palavras de Dom Bosco: “Que os jovens saibam e sintam que são amados”.

Com informações da ANS