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Educomunicação para o desafio imediato de educar

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Ir. Quitéria Rosa

Educar nos dias atuais exige muita competência e uma série de habilidades frente ao mundo das novas tecnologias. Não basta dominar o conteúdo, mas é premente enriquecê-lo com a experiência de Educomunicador.
O mundo globalizado traz consigo a concorrência entre o que é “novo” e o que é “novidade”. Neste contexto, entendo que as descobertas do momento são novidade, sua validade às vezes é de um átimo de segundo. Evidencia-se, entretanto, o interesse da maioria dos jovens em abraçar a novidade, mesmo com essa característica fugaz. A publicidade também arroja-se nas novas mídias digitais, na busca voraz desse público, potencial consumidor da novidade embalada em vários produtos. Nossa juventude é o alvo fácil e que acaba por movimentar este mundo consumista ao entrar nele, certamente.

No âmbito do ensino confessional frente a este cenário, temos uma missão especial. No papel de educomunicadores somos agentes de mudanças e acreditamos na força do “Novo”; que seria tudo aquilo que contribui com a formação de valores. Jesus é o “Novo” na História. Foi com Ele que nossos Santos fundadores aprenderam o verdadeiro sentido da vida e com essa experiência vêm tornando novas as vidas de milhares de crianças, adolescentes e jovens desde a época de Dom Bosco e Madre Mazzarello.

É preciso acreditar na força do “Novo” que temos nas mãos e buscar disseminá-lo. Como escola salesiana, formamos uma família dotada de valores e que acredita no sucesso de uma instituição pautada na palavra de Jesus Bom Pastor, que tudo fez por uma “Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro”.

Educomunicação entra nesse contexto como ciência que propõe o uso de recursos tecnológicos modernos e técnicas da comunicação na aprendizagem por meio das mídias disponíveis. Trata-se do encontro da educação com a comunicação, multimídia, colaborativa e interdisciplinar.

Diante dos desafios deste mundo globalizado, somos interpelados a buscar novas possibilidades para bem acompanhar as novas gerações, apontando caminhos, e educá-las para combater o isolamento e a solidão provenientes desse contexto tecnológico. Somos chamados a auxiliar a juventude na distinção entre útil e inútil, verdadeiro e falso no grande contexto das redes sociais, e no saber aproveitar desse espaço para propor o caminho do novo para suas vidas. É preciso construir valores e formar consciência crítica, oportunizando a criação de caminhos alternativos para a prática da comunicação.

São grandes as potencialidades oferecidas pela cultura atual e que podem ajudar no conhecimento recíproco, no incentivo à solidariedade, no respeito à dignidade humana, na busca pela justiça e na construção da paz. As propostas educativas do carisma salesiano têm suas raízes na força de dois grandes educomunicadores: São João Bosco e Madre Mazzarello. Como interlocutores desta cultura não podemos perder de vista o anúncio do “Novo”, este que vem transformar tudo aquilo que impele o ser humano a fazer uma bela caminhada em direção ao futuro. Precisamos estar abertos para acolher a “novidade” como forma de aproximá-la da vivência do “novo”. Acreditamos na força interativa da educomunicação para contribuir com estes processos.

Uma experiência de formação

A Inspetoria Maria Auxiliadora, das irmãs salesianas no Nordeste, oferece às formandas (jovens em preparação para a vida religiosa) acompanhamento em todas as áreas do conhecimento. E uma área em destaque é a Educomunicação. A disciplina está na grade curricular do projeto formativo das FMA e tem a duração de um semestre. Este ano, as aulas foram ministradas por irmã Quitéria Rosa. “Durante as aulas, é perceptível o interesse por parte das formandas em aprofundar esta modalidade de ensino como estratégia para o desenvolvimento da pedagogia salesiana mediante as práticas do Evangelho”, afirma. Participaram do curso: Tatiane Alves, Luciana Reis, Mirian Carla, Michely Sintia, Sandra Andrade, Ranna Mariana C. Barroso, Kelry Andreza e Maria José Alves. Veja a seguir os depoimentos de algumas participantes:

“A juventude é o público principal dos avanços tecnológicos e dos meios de comunicação. Percebo que a educomunicação é uma ferramenta que tenta instruir o jovem e o próprio educador sobre como lidar com as diversas plataformas nas quais estão inseridos” (Tatiane Alves).

“O próprio papa Francisco, na mensagem para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais, nos incentiva a usar os meios de comunicação para nos aproximarmos das pessoas, fazendo nossa evangelização. Ele nos convida a nos tornamos semelhantes ao outro, descobrindo o que os jovens de hoje almejam em suas vidas. Essa é realmente uma maneira de levar Jesus a quem precisa” (Luciana Reis).

“Estudar educomunicação é aprender a lidar com os desafios de uma nova linguagem frente à educação. As aulas práticas e teóricas me ajudaram a crescer no diálogo comigo mesma, com o outro e consequentemente com o transcendente. Fiquei feliz pelas descobertas que fiz no mundo da comunicação. É bonito perceber que uma boa comunicação causa transformação” (Michely Sintia).

“O estudo de educomunicação desperta nossa consciência crítica sobre o uso dos meios, sinalizando caminhos estratégicos para uma educação mais interativa e prazerosa” (Ranna Mariana C. Barroso).

“Estudar educomunicação é aprender a lidar com ferramentas que favorecem o uso dos meios de comunicação frente à missão de educar. É uma saída que pode ajudar a juventude nos tempos de hoje. É uma ciência abrangente. É o olhar que fala, gestos, atitudes, as cores: tudo que há em nosso ser comunica algo e comunica alguém” (Kelry Andreza).