O novo Reitor-Mor dos Salesianos, P. Fábio Attard, iniciou seu ministério reforçando uma das principais marcas do carisma de Dom Bosco: a atenção aos jovens mais vulneráveis. No dia 3 de abril, sua primeira visita pública foi ao Instituto Penal Juvenil Ferrante Aporti, em Turim, o mesmo local onde Dom Bosco desenvolveu o Sistema Preventivo após conviver com jovens encarcerados no século XIX.
Salesiano há 45 anos e sacerdote desde 1987, P. Attard traz em sua trajetória a combinação entre trabalho pastoral, pesquisa acadêmica e uma profunda paixão pela juventude. Entre 2008 e 2020, foi Conselheiro Geral para a Pastoral Juvenil, uma experiência que fortaleceu sua convicção de que “não se pode ser apaixonado por Jesus Cristo sem se dedicar aos jovens”.
A missão começa pelos mais esquecidos
Ao visitar o Ferrante Aporti, P. Attard encontrou jovens detentos, em sua maioria imigrantes e de fé muçulmana. Emocionado, conversou com alguns deles em árabe — idioma que aprendeu enquanto estabelecia a presença salesiana na Tunísia, nos anos 1990.
“Como dizia nosso irmão salesiano P. Domenico Ricca, capelão do Ferrante por 40 anos, o azar desses jovens foi nascer no ‘berço errado’”, afirmou. “Dom Bosco entendeu isso muito bem. Ele dizia que, mesmo no jovem mais depravado, existe um ponto acessível ao bem — e cabe ao educador encontrá-lo”.
Escutar os jovens antes de julgar
P. Attard destacou que o maior desafio atual da juventude não é a rebeldia, mas a ausência de adultos significativos que os escutem com paciência e respeito. “O que une os jovens em todas as partes do mundo é essa carência de escuta. Eles não precisam de discursos prontos, mas de alguém que pare, os ouça e os compreenda”, ressaltou.
Segundo ele, esse é o verdadeiro ponto de partida para anunciar Jesus Cristo às novas gerações. “Quando um jovem pergunta: ‘Você tem cinco minutos?’, é o coração pedindo ajuda. Se dermos esses minutos, abrimos espaço para um diálogo profundo e autêntico”.
A força do carisma salesiano continua viva
Para P. Attard, ser eleito o XI Sucessor de Dom Bosco é um chamado para continuar e preservar a missão iniciada em Turim e hoje espalhada por todo o mundo. “Talvez tenhamos menos números, mas temos mais sentido. A proposta de Dom Bosco continua viva, especialmente onde há jovens que mais precisam de apoio e esperança”.
Ao olhar para o futuro, o novo Reitor-Mor destaca o desafio de dialogar com culturas diversas sem perder a identidade cristã. “Precisamos acolher a todos, como pede o Papa Francisco, mas mantendo viva a essência do nosso carisma: ouvir os jovens, compreender suas perguntas e ajudá-los a encontrar sentido”.
Com informações
Marina Lomunno
Fonte: O jornal Avvenire