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Promotor de Justiça de Mato Grosso visita aldeias xavante em Campinápolis

25 de outubro de 2022

O Promotor de Justiça do Estado de Mato Grosso, Roberto Arroio Farinazzo Junior, esteve no sábado (22/10) nas aldeias xavante presentes no âmbito da Paróquia Pessoal São Domingos Sávio, em Campinápolis (MT). Ele foi acompanhado pelo diácono salesiano José Alves e pode se encontrar com representantes das entidades parceiras no atendimento às comunidades indígenas, como a Operação Mato Grosso.

A visita foi às aldeias da Terra Indígena Parabubure e começou pela aldeia Boa Sul, onde foi feita a entrega de doações de roupas, pomada do Padre Giaccaria, xarope e materiais de pesca, como linhas e anzóis. Mas a primeira parada que chamou a atenção do promotor foi na aldeia Boa Vida. Nessa aldeia, há 7 anos a população está sem água potável. “Tem o poço, tem a caixa d’água, mas a bomba estava queimada”, relata o cacique.

Quem se sensibilizou com a situação dos indígenas da aldeia Boa Vida foi a comunidade da paróquia Imaculada Conceição, da cidade de Bilac (SP), localizada a mais de mil quilômetros de distância de Campinápolis. O diácono salesiano José Alves contou a história ao padre Paulo Roberto Lupifier, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Bilac. Com a ajuda de um outro benfeitor local, o senhor Bento, foram adquiridos fios, mangueira e bomba d’água para instalar no poço que já existia na aldeia. “não era um poço que o mestre Luís (Würstle) fez, não era um poço do projeto AMA, mas uma estrutura do governo, que estava sem funcionamento, e eu fui lá fazer essa instalação no sábado, junto com o promotor Roberto”, revela o diácono salesiano.

Ainda na aldeia Boa Vida, o promotor pode ouvir a comunidade indígena, a voz da liderança Lígia, xavante, que expôs, entre outras questões, a falta de documentos pessoais dos indígenas. “Então, numa aldeia de 50 pessoas, 22 pessoas não têm documento. Crianças, adolescentes, jovens. Então tem lá um que, pela conta ele já tem 23 anos de idade e ainda não tem documento. Essa é a realidade da aldeia Boa Vida”, revelou a indígena.

Saindo da aldeia Boa Vida, o promotor foi até as aldeias Campinas, São Domingos Sávio, São José e Santa Clara. Lá, ele se encontrou com um grupo da Operação Mato Grosso, Vanderlei e Raquel, Clemílson e Vilma, responsáveis pelo atendimento das aldeias de Campinápolis e do internato de Novo São Joaquim, respectivamente. Eles estavam encerrando o ciclo de atividades do Oratório deste ano, com mais de 250 crianças, fazendo as atividades e realizando os eventos em um momento típico oratoriano.

Com os representantes da Operação Mato Grosso estavam os caciques da aldeia Santa Clara, Justino Tserenho’u e da aldeia São Jose, Lucas Mandu Tsito’mowe. A conversa com o promotor foi proveitosa porque os líderes indígenas puderam elencar suas dificuldades, os desafios que a comunidade enfrenta, o problema de falta d’água, de bombas estragadas, de escolas que estão sem terminar, entre outras coisas, dando um destaque especial a uma questão que precisa de um encaminhamento prático para a justiça eleitoral.

A preocupação dos indígenas é com a dificuldade para irem até às seções eleitorais para votar no segundo turno das eleições deste ano. “São mais de 200 aldeias e a falta de veículos, de condução, de motos, de dinheiro para pagar frete dificulta aos eleitores indígenas de exercerem o direito de cidadania”, revela o cacique xavante. O promotor de justiça pública deve encaminhar a demanda junto ao Tribunal de Justiça Eleitoral, que tem sede em Xavantina, para tomar as devidas providências.

A presença do promotor de justiça nas aldeias impressionou também as lideranças locais. Roberto Farinazzo Junior, além de conversar com lideranças locais, também visitou casas, brincou e jogou futebol com as crianças, o que surpreendeu o cacique Lucas Tsito’mowe. “Parabéns ao promotor pelo não ter medo de estar entre os indígenas, estar convivendo com a gente, estar aqui sujando os pés, correndo e suando com as crianças, bem diferente de outros que ficam de terno e gravata no ar condicionado”, declarou o líder indígena.

Também causou boa impressão no promotor de justiça o trabalho desenvolvido pelos salesianos e parceiros nas aldeias xavante. “Inicialmente, tomei conhecimento da Missão Salesiana na teoria e já passei a admirar. Porém, ao constatar o árduo trabalho na prática, a admiração ganhou patamares incomensuráveis. Foi uma experiência incrível: participar de um trabalho que levou um bem precioso (água) para uma comunidade indígena, conferindo-lhes um mínimo de dignidade àquele povo sofrido. Contem sempre com o Ministério Público, para a continuidade deste belo trabalho”, finalizou o promotor.

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