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Santidade salesiana vivida no Brasil

28 de março de 2019

No elenco daqueles que viveram profundamente a espiritualidade salesiana e que hoje têm a sua santidade em vias de reconhecimento oficial pela Igreja, estão brasileiros de nascença ou “de coração”. Saiba quem são eles e quais exemplos nos oferecem.  

Desde o início da Família Salesiana, um grande e variado número de pessoas vivenciou exemplarmente a espiritualidade herdada de Dom Bosco e Madre Mazzarello. Parte desses exemplos de vida tem a sua santidade reconhecida ou em vias de reconhecimento oficial pela Igreja Católica: são nove Santos, 118 Beatos, 17 Veneráveis e 24 Servos de Deus.

O Reitor-mor, padre Ángel Fernández Artime, afirma no comentário à Estreia 2019 a importância de “conhecer e fazer conhecer essas figuras extraordinárias”, não para copiá-las cegamente, mas para que a pluralidade de formas como a espiritualidade salesiana se manifesta possa ser inspiradora na atualidade. “A galáxia da santidade é vasta e diferenciada; por isso, não deve ser achatada numa orientação genérica para o bem, mas deve ser considerada como fonte inesgotável de inspiração e de programa de vida”. Neste sentido, apresentamos a seguir alguns aspectos biográficos dos cinco brasileiros – de nascença ou “de coração”, ou seja, que escolheram ser missionários no Brasil – que fazem parte do elenco da santidade salesiana.

Rodolfo Komórek

Rodolfo Komórek nasceu em 11 de agosto de 1890, em Bielsko, que hoje pertence à Polônia, mas, na época, era uma província austríaca. Aos 19 anos entrou no seminário e aos 24 foi ordenado sacerdote. Durante a Primeira Guerra Mundial trabalhou como capelão militar no hospital e também na frente de batalha. Com o fim da guerra voltou ao ministério paroquial e, já naquele tempo, destacava-se como confessor e pela atenção aos mais humildes.

Quando tinha 32 anos, ingressou na Congregação Salesiana e, dois anos mais tarde, realizou o sonho de ser missionário no Brasil. No País, passou por várias comunidades salesianas, até ser constatado que estava com tuberculose. Foi transferido para a casa salesiana de São José dos Campos, SP, onde viveu seus últimos anos. Os relatos sobre padre Komórek descrevem sua profunda espiritualidade, o amor pela Eucaristia, a penitência, a piedade e a constante disponibilidade para o serviço ao próximo. Até o final de sua vida, mesmo quando estava doente, procurou ajudar os que necessitavam de apoio, fosse material ou espiritual.

Padre Rodolfo Komórek morreu aos 59 anos, em 11 de dezembro de 1949. Em 6 de abril de 1995, foi declarado Venerável. Seus restos mortais estão na Capela Menino Jesus de Praga, na Paróquia Sagrada Família, em São José dos Campos, SP. Anexo à capela estão o museu e o relicário, onde diariamente há visitação de fiéis. Outras informações no site: http://sagradafamiliaonline.org.br.

Atílio Giordani

Em um percurso bem diferente, o Venerável Atílio Giordani viveu a santidade como leigo: na família, na paróquia, no oratório. Ele nasceu em Milão, Itália, no dia 3 de fevereiro de 1913. Aos 18 anos, já se distinguia pela dedicação aos jovens do Oratório e, por décadas, empenhou-se na catequese, na formação litúrgica, nos jogos e brincadeiras, na animação constante dos meninos.

Durante o serviço militar (que, por causa da Segunda Guerra Mundial foi de 1934 a 1945, em fases alternadas), foi um verdadeiro apóstolo entre os companheiros. Os colegas na indústria Pirelli de Milão o descreviam como paciente e sempre de bom humor. Era um marido e pai afetuoso, que cuidava da família sem deixar de praticar a caridade. Giordani colocou na prática do dia a dia o ideal do “bom cristão e honesto cidadão”.

Quando os três filhos vieram ao Brasil, para um período de voluntariado na Missão Salesiana de Mato Grosso, Atílio e a esposa, Noemi, decidiram acompanhá-los. Em 18 de dezembro de 1972, Atílio Giordani sofreu um enfarte durante uma reunião em Campo Grande, MS, enquanto falava com entusiasmo sobre o dever de dar a vida pelos outros. Teve tempo apenas de dizer ao filho Pier Giorgio: “Agora continue você!” O seu corpo foi transportado para a Itália e repousa na Igreja de Santo Ambrósio, em Milão.

Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo

Em 1976, o padre Rodolfo Lunkenbein dirigia a Missão salesiana na aldeia de Meruri, no Mato Grosso, onde salesianos e Filhas de Maria Auxiliadora desenvolviam o trabalho junto aos Bororo. O missionário alemão tinha 37 anos e era uma voz ativa na defesa dos direitos dos indígenas, que estavam envolvidos em uma antiga luta pela terra com fazendeiros locais. Percebendo que o conflito estava se acirrando, padre Rodolfo fez vários apelos para que as autoridades governamentais se posicionassem e evitassem um confronto.

Mas, em 15 de julho daquele ano, cerca de 60 fazendeiros armados chegaram à aldeia. Padre Rodolfo foi o alvo principal dos invasores, e Simão, um jovem atuante na comunidade, foi atingido ao tentar defender o missionário. Hoje, no pátio da missão de Meruri, uma grande cruz e uma pedra branca marcam o local em que os dois foram assassinados. “Pensando no tema da Estreia, temos dois frutos da santidade salesiana, do sistema preventivo de Dom Bosco, aqui em terras mato-grossenses. E a morte deles gerou vida, pois no mesmo ano a reserva indígena foi demarcada e a defesa dos direitos dos Bororo se fortaleceu”, explica o padre João Bosco Monteiro Maciel, que participa da Comissão Histórica no processo para a beatificação.

A causa de padre Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo foi aberta em 31 de janeiro do ano passado e é baseada no martírio. “Eles são símbolo da defesa da terra, uma causa ainda muito atual na região e que está sendo discutida pela Igreja latino-americana na preparação do Sínodo Pan-Amazônico”, completa padre João Bosco.

Antonio de Almeida Lustosa

Dom Antonio de Almeida Lustosa é o quinto nome entre os exemplos de santidade salesiana no Brasil. Natural de São João del Rei, MG, o “bispo da justiça social”, como era conhecido, dedicou-se especialmente aos mais carentes, primeiro em Uberaba, MG, depois em Corumbá, MT; Belém, PA e por fim em Fortaleza, CE, para onde foi transferido em 1941.

Na capital cearense, fundou ambulatórios, o hospital São José, escolas populares gratuitas e círculos operários. Iniciou a “sopa dos pobres” e o Serviço Social na Arquidiocese. Para cuidar das famílias na área rural, fundou a Congregação das Josefinas. Escreveu obras nas áreas de Teologia, Filosofia, Espiritualidade, Literatura, Geologia e Botânica, entre outras. Em 1963, depois de 38 anos de atividade episcopal, retirou-se para a casa salesiana de Carpina, onde morreu em 14 de agosto de 1974. Sua causa de beatificação é acompanhada por uma comissão formada na Arquidiocese de Fortaleza: www.arquidiocesedefortaleza.org.br

As fases da canonização

Uma causa de canonização é iniciada pelo bispo local, e a partir da abertura da causa, a pessoa recebe o título de Serva de Deus e tem início o processo das virtudes ou do martírio. Nesta fase, são reunidos todos os documentos e testemunhos comprobatórios de que o candidato à santidade foi um mártir ou viveu as virtudes em grau heroico, podendo receber o título de Venerável.

No segundo processo, de beatificação, é analisado se ocorreu (ou não) um milagre e se foi pela intercessão deste Venerável. No caso dos mártires não é necessário comprovar o milagre para ser declarado Beato. Por fim, há o processo para a canonização, quando é feita a análise minuciosa de um milagre que tenha ocorrido após a beatificação. Neste caso, o processo é igual para os mártires. Comprovado o milagre, o candidato é declarado oficialmente como Santo da Igreja.

Ana Cosenza/Boletim Salesiano

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