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Presença Feminina da Família Salesiana é fundamental para vivenciar o carisma deixado por São João Bosco

8 de março de 2020

Nossa Senhora Auxiliadora — “Foi ela quem tudo fez”, afirmou São João Bosco ao ver o crescimento da Congregação Salesiana, já no final de sua vida, atribuindo a Nossa Senhora Auxiliadora todos os méritos da gigantesca intervenção divina na história da própria vida e na de milhares de jovens, em diversas partes do mundo. A afirmação do fundador dá a medida da importância da presença feminina no estilo salesiano de vivenciar o cristianismo.

Para o P. Wagner Luís Galvão, delegado inspetorial para Pastoral Juvenil e Vocacional, a devoção mariana de Dom Bosco tem influência direta na caracterização da presença feminina em todos os ambientes salesianos. “Quando Dom Bosco chama Mamãe Margarida para morar com ele e os jovens, sabia que a presença dela iria definir com mais clareza o ambiente familiar que queria proporcionar aos seus meninos, algo que D. Rua assimilou com tanta grandeza que fez o mesmo gesto com a mãe dele”, analisa.

Neste contexto, é preciso reconhecer que algumas mulheres se destacaram e ainda se destacam no ambiente salesiano como exemplo de fé, discernimento e seguimento dos ensinamentos de São João Bosco. Por isso, nesta semana dedicada às mulheres, a MSMT traz a história dos ícones da Congregação no passado e apresenta os atuais modelos femininos que mantém a tradição e o carisma do fundador.

 

Margarida Occhiena (Mamãe Margarida) — Desde jovem, Margarida é uma grande trabalhadora. Os tempos e os compromissos não lhe dão a possibilidade de estudar, mas o seu amor pela oração enriquece-a daquela sabedoria que não se encontra nos livros. Em 1812 casa com Francisco Bosco. Francisco tem 27 anos, é viúvo, com um filho de três anos, António, e a mãe doente a seu cargo. No ano seguinte nasce José e em 1815 João, o futuro Dom Bosco. A família transferiu-se para os Becchi, perto de Castelnuovo d’Asti. Em 1817 Francisco morre em consequência de uma pneumonia.

Margarida, então com 29 anos, vê-se responsável por sustentar a família num momento de grande escassez, e ter que cuidar da mãe de Francisco, Antônio e, os pequenos, José e João. Margarida era uma mulher de grande fé. Deus estava acima de todos os seus pensamentos e nos seus lábios. O seu amor ao Senhor era tão intenso que formou nela um coração de mãe santa. Educadora sábia, soube conciliar maternidade e paternidade, doçura e firmeza, vigilância e confiança, familiaridade e diálogo, educando os filhos com amor carinhoso, paciente e exigente.

Depois de escutar o sonho dos nove anos dos lábios do próprio Joãozinho, é a única que tenta interpretá-lo à luz do Senhor: “Quem sabe se não vens a ser padre?”. A hostilidade de Antônio por causa dos estudos de João obriga-a a ficar longe do filho mais novo para que ele possa estudar. Acompanha-o sempre até a ordenação sacerdotal.

Quando em 1846 Dom Bosco cai gravemente doente, Margarida vai assisti-lo, dando-se conta do bem que ele faz aos rapazes abandonados. Ao seu pedido para ficar sempre ao seu lado, ela respondeu: “Se vês que essa é a vontade do Senhor, estou pronta para ir”. A presença de Mãe Margarida transforma o Oratório numa família. Durante dez anos, a sua vida confunde-se com a do filho e com o início do Obra salesiana: é a primeira e principal cooperadora de Dom Bosco; torna-se o elemento materno do sistema preventivo; é, sem o saber, ‘cofundadora’ da Família Salesiana.

Morre em Turim, de uma pneumonia, no dia 25 de novembro de 1856, aos 68 anos. Acompanham-na ao cemitério muitos rapazes, que a choram como a uma mãe. Gerações de salesianos chamam-na e sempre a chamarão ‘Mamãe Margarida’.

 

Santa Maria Domingas Mazzarello* — 

“Eu os confio a você” – Maria Domingas nasceu em Mornese, na província de Alexandria, em 9 de maio de 1837, em uma grande família de camponeses. Dotada de uma força física incomum, desde menina trabalhou nos campos com o pai Giuseppe: “Para que Deus não nos deixe perder o pão, devemos orar e trabalhar”, afirmou.
Graças à educação profundamente cristã recebida na família, Maria faz grandes sacrifícios para encontrar Jesus diariamente na Eucaristia: “Sem ele eu não poderia viver”. Em 1860, seu confessor, Don Pestarino, pede ajuda para tratar alguns parentes da família Mazzarello, quando uma epidemia de tifo chega à região. Maria aceita, mas fica doente. Apesar de conseguir a cura inesperadamente, perde a força física do passado, mas não a fé. Andando pela rua, ela tem uma visão misteriosa: um prédio grande com muitas garotas correndo no pátio e uma voz que lhe diz: “Confio-as a você”.

O Espírito Santo formou um coração maternal nela – Como ela não podia mais ser camponesa, ela decidiu se tornar costureira, para ensinar as meninas pobres a costurar. O Espírito Santo formou um coração maternal nela. Prudente e sábia, Maria Mazzarello educou as meninas com amor preventivo. Uma vez aberta a pequena oficina – como aconteceu também com Dom Bosco -, o Senhor enviou a ela os primeiros órfãos a serem acolhidos.
Dom Bosco chega a Mornese com seus jovens em 1864 para abrir um internato para os meninos da aldeia. Maria olha para ele e exclama: “Dom Bosco é um santo, e eu o sinto”. Dom Bosco visita o pequeno laboratório das Filhas da Imaculada Conceição e fica muito impressionado com isso.

Filhas da Imaculada Conceição … Filhas de Maria Auxiliadora – Pio IX pediu a Dom Bosco que fundasse um instituto feminino e por sugestão de Dom Pestarino, escolheu as Filhas da Imaculada Conceição, enviando-as para o recém-construído colégio. Maria e suas companheiras sofrem de fome, também devido à hostilidade inicial dos moradores, mas sua fé nunca vacila.
Em 1872, as quinze primeiras Filhas da Imaculada Conceição tornaram-se Filhas de Maria Auxiliadora. Maria é chamada ao governo, mas disse ela: “a verdadeira superiora é Nossa Senhora”.
O Instituto cresce e enxame e as primeiras casas são abertas, as primeiras missões na América. Maria é chamada “a mãe”. Apesar de tudo, ela é simples e atenciosa com todos, sempre dá o exemplo, mesmo nos trabalhos mais humildes.
Com muita sabedoria, dirige a espiritualidade do Instituto, encarnando o carisma dado por Dom Bosco nas Filhas de Maria Auxiliadora.
Maria morreu em Nizza Monferrato em 14 de maio de 1881, aos 44 anos. Na sua morte, o Instituto já tinha 165 freiras e 65 noviças espalhadas em 28 casas (19 na Itália, 3 na França e 6 na América).
Foi beatificada por Pio XI em 1938 e canonizada por Pio XII em 24 de junho de 1951.
A memória litúrgica da santa foi marcada para 14 de maio, enquanto a Família Salesiana se lembra dela em 13 de maio.

*Texto do P. Domenico Paternò, Sdb

Beata Laura Vicuña, aluna das FMA — A filha que ofereceu a vida para salvar a mãe, é um exemplo para os dias permissivos de hoje. Nasceu em Santiago do Chile, em 5 de abril de 1891 e morreu na Argentina a 22 de janeiro de 1904, com somente 13 anos.

Em 1900 Laura entra como interna no Colégio das Irmãs Salesianas de Maria Auxiliadora em Junin de los Andes. Ali, na aula de religião, ao ouvir a explicação da professora de que desagradam muito a Deus os que vivem em união livre sem se casar, a menina cai desmaiada de espanto.

E Laura faz um plano: oferecerá sua vida a Deus contanto que sua mãe abandone a esse homem com quem vive em pecado. No dia de sua primeira comunhão oferece sua vida em sacrifício a Jesus, a ao ser admitida como ‘Filha de Maria’, consagra sua pureza à Santíssima Virgem.

Comunica o plano ao confessor Pe. Crestanello. Ele lhe diz: ‘Veja que isso é muito sério. Deus pode aceitar sua proposta e a morte pode chegar muito cedo a você’. Mas a menina está firmemente resolvida a salvar a alma de sua mãe a qualquer custo, e oferece sua vida ao Senhor, em sacrifício para salvar a alma de sua própria mãe.

No Colégio era admirada pelas alunas como a melhor companheira, a mais amável e serviçal. As superioras admiravam sua obediência e o enorme amor por Jesus Sacramentado e por Nossa Senhora Auxiliadora.

Laura sentiu enorme tristeza ao ouvir dos superiores que não poderiam aceitá-la como religiosa, porque sua mãe vivia em concubinato. Seguiu rezando por ela. Caiu doente, com dores muito intensas e vômitos contínuos. Sua vida está se apagando. ‘Senhor, que eu sofra tudo o que Vos pareça bem, mas que minha mãe se converta e se salve’.

Quando está próxima a entrar em agonia, sua mãe se aproxima. Ela se dirige à mãe com estas palavras: ‘Mãe, há dois anos ofereci minha vida a Deus em sacrifício para obter que não vivas mais em união livre. Você deve separar-se deste homem e viver santamente. Antes de morrer terei a alegria de seu arrependimento e seu pedido de perdão a Deus e que comeces a viver santamente? ‘. Sua mãe jurou ali mesmo a partir daquele momento não viver mais com aquele homem e mudar de vida. Laura então chamou o P. confessor e diz a ele: ‘Padre, minha mãe promete solenemente a Deus abandonar hoje mesmo aquele homem’. Mãe e filha se abraçam chorando.

Desde aquele momento o rosto de Laura se tornou sereno e alegre. Sente que nada mais a retém nesta terra. A Divina Misericórdia triunfou no coração de sua mãe. Sua missão nesse mundo está cumprida. Deus a chama ao Paraíso.

Recebe a unção dos enfermos e sua última comunhão. Beija repetidamente ao crucifixo. À sua amiga que reza junto a seu leito de morte lhe diz: ‘Como se sente contente a alma na hora da morte quando se ama a Jesus Cristo e à Maria Santíssima! ‘ Lançou um último olhar para a imagem que está na frente de sua cama e exclama: ‘Obrigada Jesus, obrigada Maria!’, e morre docemente. Era 22 de janeiro de 1904, ia completar 13 anos.

A mãe teve que mudar de nome e sair disfarçada daquela região para ver-se livre daquele homem. E viveu santamente o resto de sua vida.

Laura Vicuña fez muitos milagres e o Papa João Paulo II a beatificou em 03 de setembro de 1988, Turim – Itália.

 

Irmã Maria de Lourdes Rosa, FMA — Nascida em 1939, no interior de São Paulo, fez os primeiros votos religiosos em 1958, se tornando Filha de Maria Auxiliadora.

Teve uma infância normal e, aos 12 anos foi estudar no internato de Lins. Lá, diante do Monumento de Maria Auxiliadora, que existe até hoje no colégio, conta que se sentiu completamente em casa. O estudo interno, longe de casa, que era para ser um ‘castigo’ por ter repetido de ano na escola, foi assim a forma como Deus usou para o chamado à vida religiosa. No ano seguinte (1954), por ocasião do ‘Ano Mariano’, o P. Otacílio, salesiano do CDB de Lins, fez um empenho de conseguir as 12 estrelas da coroa de Nossa Senhora, como vocações femininas para a vida religiosa. O propósito do padre foi publicado em reportagem no ‘Boletim Salesiano’ da época, com as fotos das 12 jovens preparadas pelo sacerdote. A então adolescente Maria de Lourdes era uma delas. O amor a Deus e, principalmente a Nossa Senhora, foi o motivo de uma troca existencial. “Eu achei que não valia nada tudo aquilo que eu tinha, festa, roupa bonita, piano, tudo o que eu queria e minha mãe me dava… pensei na morte como uma coisa positiva, porque a gente não leva nada daqui”, afirma hoje aos  63 anos de vida religiosa.

No exemplo de Santa Maria Domingas Mazzarello, entende o carisma salesiano como viver sempre na alegria do Senhor. “Madre Mazzarello dizia ‘estejamos sempre alegres no Senhor, e eu procurei esta vida em que podia estar sempre alegre, tanto interior como exteriormente”, afirma. “Quando Madre Mazzarello falava que cada ponto (da costura) seja um ato de amor a Deus, eu falo ‘cada nota que eu toco no piano é também meu ato de amor a Deus’”, completa o pensamento.

 

Maria Ines dos Reis Pereira, psicóloga —  Nascida no distrito de Camisão (Aquidauana/MS), desde a infância, esteve próxima dos salesianos que atendiam a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Corumbá. Depois recebeu o sacramento da Crisma das mãos de D. Ladislau Paz, também salesiano. Mas o contato com o Sistema Preventivo de Dom Bosco só veio mais tarde, através do exemplo do saudoso P. Geraldo Grendene, que comandava o Oratório Festivo no Colégio Dom Bosco de Campo Grande no final da década de 1970. “Na experiência do Oratório, eu vivenciei a eficácia do Sistema Preventivo. Ele faz com que o jovem faça uma experiência de Deus e leve isso para a sua família. Não é uma coisa intelectual, é uma vivência que conquista o ser humano em qualquer fase da vida”, relata.

Formada em psicologia, atua como cooperadora salesiana e é orientadora educacional no Colégio Salesiano Dom Bosco de Campo Grande (MS) há 27 anos contínuos. Ines revela sua identificação não só com a pedagogia e estilo, mas com a própria vida de São João Bosco. Por isso, reconhece adotar para si os caminhos e formas encontrados por Dom Bosco para solucionar as mais variadas situações da vida, no trabalho, na Igreja e na família. A principal delas é uma sincera e profunda devoção a Nossa Senhora Auxiliadora. Tudo isso tem reflexo na sua atuação profissional dentro da escola e no consultório de psicologia. “Ouvir, escutar, orientar, aconselhar, são várias situações que eu fui buscando o exemplo dele”, reconhece. “Com Dom Bosco, eu aprendi uma coisa, humildade e simplicidade. É estar no meio dos jovens, com eles, ouvindo. A presença com os jovens, acolhendo, ouvindo, é o que faz a diferença mesmo nos dias de hoje tão cheios de estímulos e tecnologia”, avalia.

Inês é hoje uma das figuras femininas mais relevante no meio dos jovens do Ensino Médio da escola salesiana de Campo Grande. “O que os jovens mais sentem de diferente no colégio salesiano é a experiência da presença educativa perto deles, e isso é a marca de Dom Bosco”.

 

Margarida Queiroz Pereira, professora e Cooperadora Salesiana — Mãe de 5 filhos, avó de 12 netos, membro ativa na Associação dos Cooperadores Salesianos desde 1978, a professora Margarida é uma das figuras mais carismáticas da família salesiana da Inspetoria Salesiana de Mato Grosso. Ela conta que desde a adolescência convive com o carisma pela participação na comunidade de São Sebastião que, por décadas, foi atendida pelos padres salesianos. Hoje aposentada, aproveita os dias na preparação e formação de novos grupos de cooperadores nas comunidades, mas já foi coordenadora local, inspetorial e nacional da Associação de Cooperadores. “Como eu venho de uma família bastante humilde, eu me identifiquei com esse trabalho salesiano sempre em favor dos mais pobres, incentivando-os a crescer, a trabalhar, sempre olhando com um olhar de carinho, de alegria, um olhar de Deus para eles, é o que me encanta até hoje. Sinto que esta é a minha obrigação, meu papel como cristã a ser desempenhado dentro da filosofia de São João Bosco”, reconhece.

O sorriso fácil, sua marca registrada, não é improviso, mas lição aprendida de que a santidade consiste em estar sempre alegre. “Nada me entristece. Eu aprendi a enfrentar as dificuldades da vida com a alegria que foi transmitida para mim e a fé em Deus. E esses ensinamentos, eu me sinto na obrigação de ajudar a passar para outras pessoas. Não adianta receber, ser acolhida e depois morrer com todo o conhecimento”.

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