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Povo Guarani Kaiowá
 

Os Guarani e Kaiowá

O povo Guarani pertence ao tronco lingüístico Tupi, e no Brasil, subdividem-se em três grupos: Mbya, Kaiowá e Ñandeva. Esses dois últimos vivem no Mato Grosso do Sul, enquanto é possível encontrar outros grupos Guarani nos Estados de Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Mesmo com o antigo e intenso contato com os colonizadores, os Guarani mantém sua unidade lingüística e cultural, constituindo o mais numeroso povo indígena no Brasil e, talvez, um dos mais números da América do Sul. Povo este que desenvolve estratégia própria de adaptação às novas realidades e ao relacionamento com as diferentes sociedades nacionais envolventes. Neste universo a rede de parentesco e as relações de reciprocidade entre as várias comunidades e grupos Guarani têm sido fatores responsáveis pela comunicação, pelo intercâmbio econômico e continuidade dos próprios grupos.

É importante recordar que os Guarani não se encontram apenas no Brasil, mas em outros países da América do Sul, como Paraguai, Argentina e Bolívia. São cerca de 100.000 pessoas distribuídas em aproximadamente 500 aldeias (cf. GUARANI RETÃ, 2008). Por isso, à pergunta se os vários subgrupos Guarani formam um povo, a resposta é sim. “Povo é um conjunto de indivíduos que falam a mesma língua, têm costumes e hábitos idênticos, afinidade de interesses, uma história e tradições comuns” (Novo Aurélio, 1999; apud. GUARANI RETÃ, 2008, p. 6).

Na atualidade continuam existindo, nos territórios de Argentina, Brasil e Paraguai, quatro povos guarani, muito semelhantes nos aspectos fundamentais de sua cultura e organização sócio-políticas, porém, diferentes no modo de falar a língua guarani, de praticar sua religião e as diversas tecnologias que aplicam na relação com o meio ambiente. Tais diferenças, que podem ser consideradas pequenas do ponto de vista do observador, cumprem o papel de marcadores étnicos, distinguindo comunidades políticas exclusivas (cf. GUARANI RETÃ, 2008, p. 6).

Segundo Egon Shaden (1974), “à unidade linguística daquelas tribos meridionais corresponde relativa unidade cultural”, ou seja, apesar das diferenças existentes entre os subgrupos, eles formam, na verdade, uma unidade cultural e linguística nesta região central da América do Sul, pois reconhecem a origem comum e a proximidade histórica, linguística e cultual.

Em muitas bibliografias é comum encontrar as expressões “Guarani” para os indivíduos da etnia Guarani-Ñandeva; e “Kaiowá” para os indivíduos da etnia Guarani-Kaiowá, a forma como os próprios indígenas se autodenominam na atualidade.

Localizados na porção meridional do Estado de Mato Grosso do Sul, os Guarani-Ñandeva e os Guarani-Kaiowá têm uma população de 38.645 pessoas. A população dos Guarani-Kaiowá e Guarani-Ñandeva ao ser somada à população de outras etnias de Mato Grosso do Sul faz com que o Estado ocupe o segundo lugar em número de indígenas.
No Mato Grosso do Sul, em termos territoriais, os Guarani-Ñandeva e os Guarani-Kaiowá ocupam “30 terras indígenas, com cerca de 40 mil hectares de extensão” (COLMAN; BRAND, 2006, p. 01).

O extremo sul do estado, que é parte do território dos Ñandeva e dos Kaiowá, foi objeto da exploração da erva mate (1890-1930), do corte desenfreado de florestas para exploração de madeira (1920-1980) e, mais recentemente, as terras produtivas vem sendo recobertas de pastos exóticos - por empresas de pecuária - e por monoculturas de cana de açúcar ou soja.

Tekoha: a territorialidade guarani

O povo Guarani, na atualidade, denomina os lugares que ocupam de tekoha. O tekoha é, assim, o lugar físico – terra, mato, campo, águas, animais, plantas, remédios etc. – onde se realiza o teko, o “modo de ser”, o estado de vida guarani. Engloba a efetivação de relações sociais de grupos macro familiares que vivem e se relacionam em um espaço físico determinado. Idealmente este espaço deve incluir, necessariamente, o ka’aguy (mato), elemento apreciado e de grande importância na vida desses indígenas como fonte para coleta de alimentos, matéria-prima para construção de casas, produção de utensílios, lenha para fogo, remédios etc. O ka’aguy é também importante elemento na construção da cosmologia, sendo palco de narrações mitológicas e morada de inúmeros espíritos. Indispensáveis no espaço guarani são as áreas para plantio da roça familiar ou coletiva e a construção de suas habitações e lugares para atividades religiosas.

Deve ser um lugar que reúna condições físicas (geográficas e ecológicas) e estratégicas que permitam compor, a partir da relação entre famílias extensas, uma unidade político-religiosa-territorial. Idealmente um tekoha deve conter, em seus limites, equilíbrio populacional, oferecer água boa, terras agricultáveis para o cultivo de roçados, áreas para a construção de casas e criação de animais. Deve conter, antes de tudo, matas (ka'aguy) e todo o ecossistema que representa, como animais para caça, águas piscosas, matéria-prima para casas e artefatos, frutos para coleta, plantas medicinais etc.
 

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