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A Missão Salesiana de Mato Grosso mantém quatro presenças missionárias entre os indígenas de Mato Grosso, sendo uma entre os Bororo, duas entre os Xavante e uma entre Bororo e Xavante:
Sagrado Coração - Merúri
Fundada aos 18 de janeiro 1902, com a presença de SDB e FMA. A primeira residência nos Tachos foi transferida nos anos 20 progressivamente a Merúri, em razão da falta de água no tempo de seca. Quando Dom Aquino foi Governador de MT, concedeu aos salesianos dois lotes de 25.000 há cada um para cuidar dos índios. Governos posteriores, no entanto, permitiram a venda dessas terras pelo que, nos inícios dos anos 60, o Pe. Bruno Mariano se empenhou para garantir alguns pequenos lotes aos salesianos e assim continuaram em Merúri. Os índios não tinham direito à terra. Quando em 1975 o governo federal criou a Reserva Indígena em Merúri, o impacto dessa notícia, entre os novos donos das terras adquiridas do Estado de MT, provocou uma reação tal que aos 15 de julho de 1976 invadiram Merúri a mataram o diretor Pe. Rodolfo Lunkenbein e o cacique Simão, pensando de conseguir suspender a demarcação das terras indígenas. Depois de correr o sangue de mártires, no entanto, a terra foi demarcada.
De um vigoroso empenho missionário desde os inícios, faltando missionários desse tipo, os missionários atenderam em estilo de desobriga toda a região, de que os registros de batizados dão prova. Havia também a missão Colônia Imaculada no rio Aracy, afluente do rio Garças para atrair os Bororo dispersos. Não tendo alcançado o resultado esperado, no fim dos anos 20 a missão foi abandonada.
Em Merúri havia também um internado para os moradores da redondeza, tanto masculino quanto feminino, aos cuidados este das Irmãs FMA. Havia também um grupo de casas de moradores não indígenas. Com isso vimos que as atenções para os Bororo estiveram bastante diminuídas. Somente com o conflito de 1976 esses internatos, embora beneméritos para muita gente da redondeza, foram fechados. Os SDB e as FMA assim se dedicaram exclusivamente aos Bororo.
A sede da paróquia “Sagrado Coração” está em Merúri, na Terra Indígena (T.I.) de Merúri dos índios Bororo. O diretor-pároco atende as 03 aldeias bororo e o povoado de Paredão Grande, a 60 km, de moradores não-indígenas. Entendemos que o zelo pastoral para com a população envolvente leve ambos a uma convivência mais pacífica.
Há uma comunidade de 04 salesianos. Com a saída das Irmãs FMA de Merúri em janeiro de 2009, uma Irmã FMA marca presença periodicamente, em estilo de itinerância, a partir de Sangradouro, com o apoio também de uma Cooperadora Salesiana.
Os grandes desafios hoje, no campo de saúde, são o alcoolismo e a droga com suas conseqüências, como diabétis. Os salesianos dirigem a escola estadual em Merúri enquanto professores indígenas com formação de 3º grau se consolidam no magistério. Há projetos diversos para desenvolver alternativas de produção em vista da autossustentação.
São José - Sangradouro, fundada em 1906
Nas longas viagens de Cuiabá e Merúri, com tropas de animais, viu-se a necessidade de um entreposto para descanso. Assim sendo, Dom Malan comprou de um Dr. Manuel Gomes a fazenda Sangradouro Grande e os Salesianos celebraram a primeira missa aos 24 de maio de 2006. Posteriormente um grupo de Bororo de Merúri fez sua aldeia AL lado da sede da missão onde ainda hoje se encontra. Os sacerdotes dedicaram a maior parte do tempo na desobriga nas fazendas da redondeza. Mais tarde os SDB e as FMA abriram um internato para filhos dos moradores de perto e de longe.
Quando de um conflito violento com arrendatários, a intervenção da polícia deu razão aos missionários. Mas o diretor Pe. César Albisetti, desgostoso e vendo chegar sempre mais perto os garimpeiros, vendo uma parte mais distante da fazenda. Outro tempo de crise foi a passagem de revolucionários, quando os missionários se esconderam até eles irem embora.
A vida na então Colônia São José mudou quando aos 24 de fevereiro de 1957 chegou o primeiro grupo de Xavante, pedindo acolhida. Naquele tempo os Xavante da região de Couto Magalhães fugiram dos ataques cada vez mais freqüentes dos invasores. Durante anos, durante as caçadas no tempo de seca ao lado direito do Rio das Mortes, esses indígenas observaram às escondidas a vida nas Colônias e o trabalho dos missionários com os indígenas. Assim eles julgaram estarem a salvo dos ataques dos homens armados. Por isso também se aproximaram dos missionários de Sangradouro pedindo acolhida. Foi lhes indicado o lugar entre os córregos Santa Maria e Mortandade onde ainda hoje se encontra a aldeia São José. Quando, aos poucos, os indígenas mandaram seus filhos e filhas para estudarem com os internos não indígenas, os pais destes retiraram seus filhos e filhas do internato. Tudo ficou Xavante!
A preocupação maior de missionários e missionárias foi a produção de alimentos para tanta gente com apetite muito bom. Assim a atividade principal foi o trabalho na agricultura e outras atividades conexas para produzir e, produzindo, ensinar os indígenas a produzir, sobre a direção dos missionários. Somente nos fins dos anos 70, progressivamente, os indígenas começaram autonomamente a produzir o seu sustento, tempo em que também progressivamente os internatos para indígenas foram fechados.
Fato importante que mudou radicalmente a relação entre missionários e indígenas foi a criação da Reserva Indígena de Sangradouro em 1973. O governo federal queria fixar os Xavante do lado direito do Rio das Mortes para entregar as do lado esquerdo aos latifundários. Como primeira Reserva reações adversas não faltaram, embora com a presença da polícia os conflitos pudessem ser evitados. Terras até então consideradas devolutas de repente tiveram dono com escrituras.
Assim sendo a partir de 1974 grupos de Xavante deixaram São José para abrir sempre mais novas aldeias, hoje no total de 31 aldeias. Isto exigiu e ainda hoje exige dos missionários e das missionárias novas maneiras de se fazer presente educativa e pastoralmente, através da itinerância.
É preciso notar que as terras da missão em Sangradouro não ficaram incluídas na Reserva Indígena, o que não aconteceu nas outras missões, onde hoje somos hóspedes dos indígenas. A paróquia com a T. I. de Sangradouro dos índios Xavante, com 31 aldeias Xavante, uma aldeia bororo junto à sede da Missão e inclui também um núcleo de assentamento. O Diretor/pároco e uma Irmã FMA visitam também no tempo de seca as 11 aldeias da T. I. Marechal Rondon, a 70 km de Paranatinga, grupo de aldeias da Paróquia São Domingos Sávio. Além disso, como a aldeia Bororo de Jarudóri foi formada por egressos de Sangradouro, o Pároco os considera ainda seus fiéis, mesmo que estejam na diocese de Guiratinga. As aldeias à esquerda do Rio Sangradouro igualmente pertencem à mesma diocese. A aldeia Volta Grande, do outro lado do Rio das Mortes com aquelas citadas da T. I. Mal. Rondon pertecem ao território da Prelazia de Paranatinga. Uma paróquia multi-diocesana!
Há uma comunidade de 04 salesianos e outra de 04 Filhas de Maria Auxiliadora, que com dinâmicas participativas dos indígenas exercem atividade entre os indígenas. A escola estadual de Sangradouro está sendo dirigida atualmente por um Xavante e o diretor da Missão tem a função de orientação pedagógica. Desde os anos 90 a FUNASA exerce o atendimento à saúde dos indígenas, atividade que durante décadas foi exercida com muita dedicação pelas irmãs salesianas. As irmãs também oferecem ensino de práticas do lar às jovens indígenas. A escola do Bororo recebe apoio fervoroso por uma irmã salesiana. Desde há dois anos foi construído um Centro Cultural, pelo Museu de Culturas Dom Bosco com seus patrocinadores, com também um Baíto na aldeia Bororo.
São Marcos, fundada em 1958
Como premissa devemos ter presente que os missionários procuraram os Bororo e foram bem recebidos. Quando porém tentaram aproximar-se dos Xavante, os padres João Fuchs e Pedro Sacilotti foram trucidados. É que os Xavante depois da primeira pacificação pelo exército ainda em Goiás, desde 1775 viram-se diminuindo a tal ponto que fugiram atravessando o Rio Araguaia na barra do Rio das Mortes, onde se fixaram á esquerda do Rio das Mortes desde 1840 rejeitando qualquer tentativa de aproximação.
Quando porém perseguidos por bandeiras, outras expedições armadas e muitas desavenças com o avanço dos invasores, viram-se na impossibilidade de continuarem sozinhos e procuram os missionários onde esperaram condições de sobrevivência.
Foi assim que aos 02 de agosto de 1956 chegaram os primeiros Xavante a Merúri pedindo socorro para os outros ainda a caminho, todos cheios de feridas. Depois de alguns meses viu-se a necessidade de fazer com eles uma aldeia própria no Córrego Fundo, a 15 km de Merúri. Perto demais para viveram autonomamente, ainda que com as visitas de apoio periódicas pelos missionários. Foi então que uns poucos missionários caminharam com eles até o final das terras da Missão onde chegaram aos 25 de abril de 1958, dia de São Marcos, e por isso a Missão chama-se São Marcos.
Aqui foi reproduzido o sistema semelhante ao de Sangradouro, só que em dimensões maiores, pois, esta aldeia e Missão vinha recebendo cada vez mais Xavante das mais diferentes origens. Facções até então inimigas conseguiram conviver pacificamente, sob a orientação dos missionários. O último grande grupo, de Marãiwatsédé, ou Suiamissu, veio deportado por aviões militares de seu lugar de origem entre os dias 13-15 de agosto de 1966. Assim sendo a aldeia São Marcos contava com mais de 1 mil habitantes.
Em 1975 o Governo Federal criou também a Reserva Indígena São Marcos. A demarcação ameaçou tornar-se sangrenta não interviesse decididamente a PF. O clima hostil na região de Barra do Garças tornou-se cada vez mais agressivo e culminou com a chacina de Merúri, no ano seguinte de 1975.
O primeiro grupo liderado por Juruna foi saindo para viver não mais sob as ordens dos missionários. Outros foram seguindo pelo que hoje contamos com 31 aldeias na T. I. São Marcos. A paróquia na T. I. de São Marcos dos índios Xavante, com 31 aldeias Xavante e um povoado de moradores regionais, Toricueje, a 30 km de distância, pertencem à vasta paróquia, Há uma comunidade de 04 salesianos (um deles com 90 anos de idade) e outra de 03 Filhas de Maria Auxiliadora. Uma voluntária chegou com as Irmãs e ficou até hoje com as missionárias trabalhando com as crianças.
No início dos anos 80 os missionários e as missionárias ofereceram somente o ensina básico (1ª a 4ª séries). Por insistências continuadas dos Xavante a escola estadual estendeu o ensino até a 8ª série. Somente no início dos anos 90, com apoio importante da UCDB, foi oferecido o magistério para formar professores para as escolas cada vez mais numerosas. O mesmo aconteceu simultaneamente em Sangradouro. No início de 2000 diversas iniciativas ofereceram ensino superior aos Xavante e Bororo, como um grupo de 13 indígenas participou com êxito do curso modular da UCDB. O sistema escolar indígena seria hoje inviável se os próprios Xavante não assumissem progressivamente seu lugar como educadores indígenas.
Casa Filipe Rinaldi - Nova Xavantina, fundada em 1949
É uma paróquia ampla de população não-indígena, atendida por 02 sacerdotes e seus agentes de pastoral. É ainda sede residencial da Paróquia São Domingos Sávio, dos índios Xavante em 04 T. I., com um total 136 aldeias, aproximadamente, atendidas em estilo de itinerância, por um sacerdote, uma cooperadora salesiana e outros colaboradores ocasionais. Esta atividade teve seus inícios no final dos anos 60 quando Pe. Pedro Sbardellotto visitou todas as aldeias para um estudo de suas terras originais. Posteriormente Pe. Clemente Deja fez visitas pastorais simpáticas por sua simplicidade. Desde 1980 tomou maior consistência pela dedicação do atual pároco, Pe. Bartolomeu Giaccaria. Residindo em Sangradouro e São Marcos recebeu apoio das comunidades locais na itinerância. Neste tempo se aliou ao trabalho pastoral a cooperadora salesiana Nelina Zucchella. Desde 1998 optou-se por uma residência mais próxima ao campo de trabalho, residindo o pároco em Nova Xavantina, atualmente sede da Paróquia São Domingos Sávio.
Na T.I. Parabubure com 109 aldeias há a residência das Irmãs Lauritas na aldeia São Pedro. As Irmãs coordenam a escola de 1º e 2º graus, acompanham a Iniciação Cristã em todas as aldeias que solicitarem, onde a catequese está nas mãos dos catequistas indígenas, e dedicam atenção especial à Pastoral da Família.
Na aldeia Santa Clara reside um grupo da Operação Mato Grosso que acompanhou durante anos a escola, fez pequenos projetos de desenvolvimento da agricultura, prestam assistência à saúde juntamente com a FUNASA e ultimamente qualificam jovens indígenas através de uma educação escolar aprimorada. Perto da Aldeia Parabubure há a Casa de Encontros, atualmente bem estruturada, onde se realizam os cursos de formação dos agentes de pastoral, além de servir a missionários e missionárias de residência durante a itinerância. Por ocasião do Natal e da Páscoa o Pe. Georg Lachnitt colabora fazendo as visitas pastorais nas aldeias, como também o Pe. Aquilino e outros prestam colaboração ocasional.
Na nova aldeia Marãiwatsédé foi possível investir em estruturas como enfermaria, escola, residência missionária e Capela, com o apoio do bispo local de São Félix do Araguaia, tudo pela ação decisiva do pároco. Nesta paróquia consolidou-se de modo peculiar o processo de Iniciação Cristã por etapas com sua catequese, processo naturalmente executado com os catequistas indígenas. Deve-se notar também que esta paróquia contempla os Xavante de três dioceses: Barra do Garças como responsável pela pastoral, Prelazia de Paranatinga e Prelazia de São Félix do Araguaia.
Esta ação pastoral unificada de um mesmo povo corresponde a uma decisão dos bispos de Mato Grosso. |