Por: Pe. Jorge Parovel, SDB De Campo Grande-MS
Primórdios da Paróquia São João Bosco – esboço histórico
Campo Grande, Mato Grosso do Sul – Brasil.
Não está ao nosso alcance fazer um estudo aprofundado da origem da Paróquia São João Bosco, mesmo porque o tempo e as fontes não seriam suficientes. É nossa intenção apresentar aos paroquianos e leitores o porquê, o quando, o como e o para que foi criada a Paróquia São João Bosco.
Retrocedendo no tempo, vale lembrar que o Bispo de Cuiabá D. Carlos Luiz D’Amour visitou o incipiente povoado de Campo Grande em 1886 e os padres salesianos, desde 1898 percorriam o então sul do Mato Grosso. O Pe. José Solari, naquele mesmo ano, visitara Campo Grande, que era formada por cerca de 90 casas, hospedando-se na casa do Sr. Bernardo Baís.
Em 1910, a Santa Sé, desmembrava a Diocese de Cuiabá, criando a Diocese de Corumbá, com jurisdição sobre todo o atual estado de Mato Grosso do Sul. Somente em 1912, porém, tomava posse da diocese de Corumbá o seu primeiro bispo, D. Cirilo de Paula Freitas, que, imediatamente criou a paróquia de Santo Antonio na cidade de Campo Grande. Infelizmente, a falta de sacerdotes impedia o normal funcionamento da paróquia, que passou a ser atendida, saltuariamente, pelos padres Salesianos vindos de Corumbá.
Em 1924, o segundo Bispo de Corumbá, D. José Maurício da Rocha, confia a Paróquia de Santo Antonio à Congregação Salesiana, sendo o seu primeiro pároco Salesiano o Pe. Hipólito Chovelon.
Em 1930, o terceiro bispo de Corumbá, D. Antonio de Almeida Lustosa, primeiro bispo salesiano de Corumbá, confia as paróquias de Miranda e Aquidauana aos Missionários Redentoristas norteamericanos. Nesse mesmo ano os salesianos já tinham dado início à obra Salesiana em Campo Grande, abrindo o Ginásio Municipal D. Bosco.
Em 1938, o quarto bispo de Corumbá, D. Vicente Maria Priante, também salesiano, julga necessário dividir a Paróquia Santo Antonio de Campo Grande, dando, assim, origem a mais duas paróquias. Em 2 de janeiro de 1939 é criada a Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, confiada aos Redentoristas, que assumiram também a matriz de Santo Antonio. Em 7 de maio do mesmo ano é criada a paróquia de São João Bosco que é entregue aos salesianos. Quando da divisão da Paróquia Santo Antonio, o Pároco da mesma era o salesiano Pe. Francisco Mahr. Interessante observar, pois, que os salesianos administraram a paróquia de Santo Antonio desde 1924, com a vinda do Pe. Hipólito Chovelon até 1939 com a divisão da mesma.
Conforme se lê no Decreto de criação da Paróquia São João Bosco, a capela do colégio salesiano foi escolhida como sede da nova Paróquia e nomeado pároco o mesmo diretor do colégio o Pe.João Greiner. Na prática, as funções paroquiais foram levadas adiante pelo Pe. José Luis Valentim, que se dividia entre o trabalho com os alunos do colégio e a paróquia. Em 21 de janeiro de 1940 o Pe. José Luis Valentim foi nomeado pároco, assumindo efetivamente a paróquia até o dia 11 de janeiro de 1942. Até 3 de janeiro de 1943, o pároco foi o Pe. José Xhardy. Em 16 de janeiro de 1943 chega a Campo Grande o Pe.Tomás Ghirardelli (pronuncia-se GUIRARDÉLLI) na qualidade de pró-vigário da paróquia Dom Bosco, aquele que se tornaria ícone de Campo Grande pela sua dedicação aos pobres e sofredores.
Sabemos que citar nomes e datas pouco acrescenta à história, se não procurarmos conhecer as figuras — leigos, clérigos e religiosos — que forjaram a Paróquia São João Bosco. Louvamos àqueles que se aventuraram a conhecer a história da paróquia e incentivamos outros acadêmicos e historiadores a se lançarem nos meandros da história da Igreja em Campo Grande. Assim, colocaremos luz sobre um passado não tão distante, descobrindo homens e mulheres corajosos, que tiveram a ousadia de iniciar, que enfrentaram os perigos, sofreram e lutaram para nos legar um presente do qual devemos ser dignos continuadores.
Pe. Jorge Parovel, SDB
OS PRIMEIROS PÁROCOS
Continuaremos a narração da história do começo da Paróquia de São João Bosco. Em uma ata do capítulo da casa do Colégio Dom Bosco de 20 de março de 1939, estando presentes o Pe João Greiner, diretor, o Pe José Luiz Valentim e o Pe Bruno Mariano, o Pe Inspetor, Pe.Ernesto Carletti, anunciou a vinda do pe. Miguel Curró, para tomar conta da nova paróquia. De fato o Pe. Miguel chegou, mas por motivos que iremos apresentar, foi transferido para a cidade de Bauru SP. Quem foi o Pe. Miguel?
Nasceu na Itália, na Sicília (cidade de Catánia) em 1871. Em 1903 foi ordenado sacerdote em Cuiabá. Foi mestre de noviços, diretor em várias casas, mas sobretudo foi como diretor do São Gonçalo de Cuiabá que levou até o fim a construção do magnífico Santuário de Maria Auxiliadora. Em 1934 foi pároco de Campo Grande, na Paróquia Santo Antônio. Sintomas aparentes de lepra o levaram a Bauru, na Colônia Aimorés entre os leprosos; em poucos meses ficou completamente curado. Quando em 1939 deixou a Colônia Aimorés, os doentes de hanseníase não se resignaram em perder aquele que em pouco tempo se tornara um pai e um diretor das suas almas. Os pedidos para que o Pe. Miguel voltasse à Bauru chegaram até o Reitor Mor dos salesianos, pe. Ricaldone. Quando perguntaram ao Pe.Miguel se queria voltar para Bauru, ele disse: O soldado vai onde o general o manda. E pe.Miguel, assim, não foi o primeiro pároco, mas foi para Bauru, onde ficou por vinte anos. Os seus últimos anos os viveu na Chácara São Vicente, Campo Grande, e quem escreve o viu aos 90 anos cuidar, com todo carinho das parreiras de uvas. Se não chegou a ser o primeiro pároco, certamente a sua santidade foi uma bênção para a nova paróquia. Faleceu no dia 2 de maio de 1963. O arcebispo de Botucatu disse: Foi um santo: o seu exemplo permanece como um monumento na Colônia Leprosário Aimorés. Na ata supracitada se dizia a respeito do Pe Miguel: “ a vinda desse bom salesiano será certamente uma bênção para a nossa casa...” e assim foi!
O Inspetor, Pe. Carletti, indicou, então, para ser o primeiro pároco da erigenda paróquia o Rev.mo Pe. João Greiner, diretor do Colégio Dom Bosco, naquele tempo, denominado “Ginásio municipal Dom Bosco”. Impossibilitado de exercer a função de diretor do colégio e pároco, na realidade, foi o Pe. José Luiz Valentim quem dava assistência na nova paróquia. Agora poderíamos nos perguntar: afinal quem foi o Pe. João Greiner?
O Pe. João Greiner nasceu no dia 7 de março de 1905, em Hiltersried-Bavieira, Alemanha. Os seus pais, João e Francisca, muito cedo fizeram nascer no coração do filho o entusiasmo pela vocação sacerdotal. Com 10 anos de idade entrou no ginásio em Ratisbona. Em l922 entrou no noviciado recém criado, e professou no dia da Imaculada Conceição, Mãe de Deus. Pouco depois se colocou à disposição do trabalho missionário no Brasil. Em Corumbá estudou filosofia; e teologia na Crocetta – Turim, Itália. Em 6 de julho de 1930 foi ordenado sacerdote. Feliz voltou para o Brasil, onde os superiores o nomearam coordenador dos estudos, em Campo Grande. Apenas com trinta anos de idade foi nomeado diretor da casa Santa Teresa de Corumbá e, em 1937, diretor do Ginásio Municipal Dom Bosco de Campo Grande. Em l941 foi diretor em Silvânia, Goiás; em seguida, diretor em Tupã, São Paulo, e novamente em Campo Grande, no Colégio Dom Bosco. Tendo conquistado a confiança dos superiores maiores, em 1949 foi nomeado inspetor da Alemanha, desenvolvendo um trabalho imenso, pois, o país acabava de sair da Segunda Guerra Mundial. Era necessário reconstruir quase tudo... Em 1958 a obediência o devolveu a Mato Grosso na qualidade de inspetor. Não podemos esquecer que, durante a sua estadia na Alemanha, conseguiu entusiasmar uma plêiade de jovens salesianos alemães que vieram para o Brasil como missionários. Terminado o seu mandato, em 1966 voltou para a Alemanha, com a saúde já fragilizada. Foi-lhe confiada a Procuradoria Missionária em Bonn, naquele tempo, capital da Alemanha Ocidental. Problemas neurológicos o levaram a uma morte prematura. Faleceu em Mônaco da Baviera no dia 15 de agosto de 1970.
O reconhecimento social da atuação do Pe. Greiner em Campo Grande ficou patente na Escola Municipal que dele recebe o nome.
PRIMÓRDIOS III
A paróquia de São João Bosco de Campo Grande foi criada em 7 de maio de 1939.O seu primeiro pároco deveria ter sido o Pe.Miguel Curró; em seu lugar foi nomeado o Pe. João Greiner, mas na realidade o primeiro pároco foi o Pe. José Luis Valentim. Antes de apresentarmos a figura do Pe.Valentim, necessário é descrever brevemente em que consistia a nova paróquia de São João Bosco.Vale a pena transcrever o decreto de Dom Vicente Priante, bispo da então única diocese do atual Mato Grosso do Sul, em que se traçam os limites da paróquia: “da cabeceira do córrego Segredo tire-se uma linha recta até encontrar a cabeceira do córrego Imbirussu,por este abaixo até sua foz no Anhanduhy, por este acima até a foz do córrego Lageado e por este acima até sua mais alta cabeceira,daqui em linha recta até a cabeceira do Anhanduhyzinho, por este abaixo até sua foz no rio Anhanduhy, por este acima até a foz do rio Santa Luzia, e por este até o rio Gaivota, subindo a vertente deste até apanhar o espigão e descendo daqui até a foz do Piau. E daqui, em linha reta até a Ponte do Alegrete, subindo pelo rio Verrote até a foz do Taquara, e por este até o Divisor do Passa Tempo, descendo até a foz do ribeiro Carrapato, no Brilhante e por este acima até sua mais alta cabeceira; daqui uma linha recta até a cabeceira do rio Burity, e por este abaixo até o rio Aquidauana e por este acima até a foz do ribeirão Ceroula, e por este até sua mais alta cabeceira, e daqui em linha recta até a cabeceira do Rio das Botas ; desta em linha recta até apanhar o perímetro da cidade na rua Maracajú, pertencendo ambos os lados da rua à paróquia de São João Bosco,até o rio Segredo; do rio Segredo acima até sua cabeceira.”
Para que os nossos leitores não pensem que a paróquia foi criada do nada, é bom lembrar que os padres salesianos, sobretudo o Pe. Antônio Franco, já percorriam aquelas regiões, visitando as vilas e fazendas. Desta forma, já em l939 a paróquia era dividida em quatro partes; a parte de Campo Grande,a zona oeste,a sudoeste e sudeste.
Zona Oeste: compreendia: Rincão, Cachoeirinha, Cachoeirão, Pateirinho, Mateira, Rincãozinho, Salobra, Rochedinho, Canastrão, Lázaros, etc.
Zona Sudoeste: São Bento, Brilhante, Guariroba, Serrote, Vacaria, Carrapato, etc.
Zona Sudeste: Bacia do Anhanduhy, Três Barras, Estiva, Esperança, Salto, Engano,etc.
Zona da cidade: Capela do Colégio Maria Auxiliadora, Hospital da Santa Casa, Capela de São Benedito-Cascudo, aos cuidados das Irmãzinhas de Jesus Adolescente.
O Pe. José Luis Valentim, já sobrecarregado de trabalho pelas suas múltiplas atividade no internato salesiano e nas aulas no Ginásio Municipal Dom Bosco, desde o dia 7 de maio de l939 entregou-se corpo e alma na estruturação da recém criada paróquia. O Pe. Valentim já beirava os 50 anos tendo nascido em 28 de julho de 1890. Era originário da cidade de Araras-SP, filho de imigrantes italianos, católicos fervorosos que transmitiram ao filho, com o exemplo da vida uma profunda formação religiosa: daí se explica o desabrochar da vocação sacerdotal e religiosa. Foi aluno interno no colégio salesiano de Lorena-SP onde fez o curso ginasial. Em 1911 fez a primeira profissão religiosa e em 20 de setembro de 1919 era ordenado sacerdote em Montevidéo-Uruguai. Com um notável pendor pela música, habilitou-se nesta arte, tornando-se um grande maestro e compositor. Voltou ao Brasil e trabalhou em várias casas da inspetoria de São Paulo. Em 1937 o Pe. Ernesto Carletti precisando de ajuda, convidou o Pe. José Luis Valentim para trabalhar em Mato Grosso. Ele aceitou entusiasta e,assim em 1938 o encontramos no colégio de Silvânia-Goiás. Em 1939 é destinado para Campo Grande na qualidade de catequista (atualmente coordenador da pastoral) e encarregado da parte musical do Ginásio Municipal Dom Bosco. Pelos motivos já conhecidos, todo o peso da incipiente paróquia Dom Bosco recaem sobre os ombros do Pe.Valentim.Até o fim de 1939 a paróquia se adapta à nova realidade. Não sendo pois possível que o pároco fosse o diretor do colégio e na prática o responsável direto fosse o Pe. Valentim, os superiores acharam por bem pedir ao senhor bispo que nomeasse o Pe. Valentim como pároco efetivo, e assim foi. Em 21 de janeiro de1940 o novo pároco toma posse. Antes, porem de relatar as inúmeras iniciativas do Pe. Valentim, precisamos acrescentar um breve, mas importantíssimo esclarecimento sobre os limites da paróquia. A divisória entre a paróquia do Perpétuo Socorro e Dom Bosco seria o córrego Segredo, porém se esqueceram que a capela de São Benedito, assistida pelos salesianos, ficara na paróquia dos redentoristas, enquanto parte dos freqüentadores morava na paróquia dom Bosco. Desta forma, de comum acordo com os padres redentoristas, os limites foram mudados: da rua Maracajú até o Segredo, do Segredo até à ponte do Cascudo junto à ponte da estrada de ferro; daquela ponte, pela estrada de rodagem, até a nascente do Imbirussu, onde continua a linha dos limites normais.
O ano de 1940 foi riquíssimo de novos empreendimentos. Na capela de São Benedito, no dia 03 de março se inaugurou o catecismo dominical, sob a orientação das Irmãzinhas de Jesus Adolescente. Em 14 de março 1940 deu-se início ao Pequeno Clero com os alunos externos. No dia seguinte foi instalada a Conferência Vicentina, com a tomada de posse no dia 24 de março. No dia 30 de março começou associação dos Santos Anjos com 20 associados. Foi restabelecida em 21 de abril a Arquiconfraria de Maria Auxiliadora (atualmente ADMA) com a secção dos Zeladores e Zeladoras em número de vinte pessoas. Foi restabelecida em10 de maio de l940 a Congregação Mariana com duas secções: adultos e crianças. Em 11 de julho de 1940 foi inaugurada a sede social dos coroinhas. No mesmo dia foi inaugurada também a sede social dos Marianos. Em 21 de julho 1940 deu-se início aos Tarcisios, grupo formado por aspirantes a coroinha. Em 12 de agosto receberam a fita verde os primeiro 10 afiliados. Na paróquia funcionava o oratório quotidiano. No último domingo de outubro realizou-se o Certame Catequético. Em 6 de outubro de l940 fundou-se o Catecismo Dominical sob a direção de uma irmã do Colégio Maria Auxiliadora, atividade que continua até hoje. Em 6 de abril de 1941 no colégio das irmãs salesianas o Pe.Valentim deu início às reuniões com as Filhas de Maria.
PE. JOSÉ XHARDY - O QUARTO PÁROCO
Lembrar os acontecimentos do passado é fonte de um reviver perene e salutar em vista do futuro, sobretudo quando as figuras que traçaram a história merecem todo o nosso respeito. Podemos afirmar que o presente é o resultado do que foi semeado no passado. Todas as pessoas que estamos lembrando, sem dúvidas, foram fundamentais para a realização do tempo presente.
Em 1942, no mês de janeiro, o Pe. José Luis Valentim foi transferido para Lins-SP na qualidade de “Catequista”(Orientador de Pastoral) no colégio de recente fundação. Como Vigário – assim até poucos anos atrás eram denominados os párocos – chega de Cuiabá o Pe. José Xhardy. O novo vigário nascera na Alemanha em 1885. Tendo conhecido os salesianos, por motivos de saúde foi aconselhado pelos médicos a procurar climas mais quentes; assim foi enviado ao Brasil. Em Cuiabá continuou os estudos. Fez a primeira profissão religiosa em 1913 e foi ordenado sacerdote em l920. Dedicou-se ao trabalho duro das “desobrigas”, percorrendo toda a diocese de Cuiabá. Tendo ficado gravemente doente, a obediência o trouxe para Campo Grande como vigário da paróquia de São João Bosco. Durante o ano de 1942 o Pe. José Xhardy foi vigário dedicado e zeloso, sobretudo no cuidado dos pobres e na regularização de casamentos. Em janeiro de 1943 os superiores transferiram o Pe. José Xhardy para o São Gonçalo de Cuiabá.
O Pe. José Luis Valentim voltou para Campo Grande na qualidade de diretor do Colégio dom Bosco e quinto Vigário da paróquia Dom Bosco. Sabendo por experiência que o diretor do colégio não pode ser vigário em tempo integral, foi nomeado o Pe. Tomás Ghirardelli como pró-vigário. De fato pelas crônicas sabemos que embora o titular da paróquia fosse o Pe. Valentim, na prática o Pe. Tomás exercia a função em plenitude. Começou assim em 1943 o longo período em que o inesquecível Pe. Tomás esparramou de mãos cheias, em Campo Grande e seus arredores, toda a fogosidade do seu ardor apostólico. Em janeiro de 1945 os superiores acharam por bem efetivar o Pe. Tomás como vigário titular liberando o Pe.Valentim do encargo da paróquia.
Deixaremos para outra oportunidade uma apresentação mais detalhada do trabalho desenvolvido pelo Pe.Tomás, procurando focalizar brevemente o ambiente global que viu nascer a paróquia Dom Bosco.
A PARÓQUIA NASCEU LIGADA À COMUNIDADE SALESIANA E ÀS ATIVIDADES DO COLÉGIO DOM BOSCO
É de suma importância lembrar que a paróquia Dom Bosco nasceu praticamente como uma conseqüência lógica do Colégio Dom Bosco. A comunidade dos educadores salesianos tinha como objetivo formar as crianças e os jovens para serem “bons cristãos e honestos cidadãos,” como queria D. Bosco. Mas só isto não seria suficiente se não se alcançasse toda a população abrangente. Porém, o fermento necessário deveria provir de um núcleo de pessoas de sólida formação que pudesse transmitir, pela palavra e pelo exemplo, novos ideais e grande amor à Igreja.
Impossível falar sobre cada um dos salesianos que passaram pelo Dom Bosco nos primeiros anos da paróquia. Lembraremos alguns que se tornaram mais conhecidos: Pe. Pedro Cometti: assistente dos internos, professor de música e canto, grande organizador, futuramente, inspetor; Pe. Angelo Venturelli, assistente, professor e mundialmente conhecido pela ENCICLOPÉDIA BORORO; Pe. Pedro Sbardellotto, assistente e por mais de 50 anos missionário entre os Xavantes; Pe. Bruno Mariano, conselheiro (coordenador dos estudos), construtor dos primeiro prédios da Chácara São Vicente, bom pregador; Pe.Antônio Franco, missionário das “desobrigas” em todas as capelas do interior da paróquia; Pe. Pedro Pinto Ferreira, diretor em 1941 e 1942; Pe. Rodolfo Wohlrab; Clérigo Gufler; Pe. Pedro Heisel; Pe. João Augusto Hadzinski; Pe. Lourenço Scribante; Pe. Domigos Corso; Mestre Jacó Maria, Mestre Francisco Veronese.
Poderíamos continuar, mas isto nos dá uma idéia de quantas pessoas estiveram envolvidas no trabalho que a paróquia salesiana desenvolveu desde o seu nascimento. São pessoas que marcaram a história dos salesianos em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. A eles a nossa eterna memória.
PRIMÓRDIOS IV
Lembrar os acontecimentos do passado é fonte de um reviver perene e salutar em vista do futuro, sobretudo quando as figuras que traçaram a história merecem todo o nosso respeito. Podemos afirmar que o presente é o resultado do que foi semeado no passado e todas as pessoas que estamos lembrando sem dúvidas, foram fundamentais para a realização do tempo presente.
Em 1942, no mês de janeiro, o Pe. José Luis Valentim foi transferido para Lins-SP na qualidade de catequista (orientador de pastoral) no colégio de recente fundação. Como Vigário chega de Cuiabá o Pe. José Xhardy. O novo vigário (assim até poucos anos atrás eram denominados os párocos) nascera na Alemanha em 1885. Tendo conhecido os salesianos, por motivos de saúde foi aconselhado pelos médicos procurar climas mais quentes; assim foi enviado ao Brasil. Em Cuiabá continuou os estudos. Fez a primeira profissão em 1913 e foi ordenado sacerdote em l920. Dedicou-se ao trabalho duro das “desobrigas” percorrendo toda a diocese de Cuiabá. Tendo ficado gravemente doente, a obediência o trouxe para Campo Grande como vigário da paróquia de São João Bosco. Durante o ano de 1942, o Pe. José Xhardy foi vigário dedicado e zeloso sobretudo no cuidado dos pobres e na regularização de casamentos. Em janeiro de 1943 os superiores transferiram o Pe. José Xhardy para o São Gonçalo de Cuiabá e o Pe. José Luis Valentim voltou para Campo Grande na qualidade de diretor do Colégio Dom Bosco e Vigário da paróquia Dom Bosco. Sabendo por experiência que o diretor do colégio não pode ser vigário em tempo integral, foi nomeado o Pe. Tomás Ghirardelli como pró-vigário. De fato, pelas crônicas, sabemos que embora o titular da paróquia fosse o Pe. Valentim, na prática, o Pe. Tomás exercia a função em plenitude. Começou assim em 1943 o longo período em que o inesquecível Pe. Tomás esparramou de mãos cheias em Campo Grande e seus arredores toda a fogosidade do seu ardor apostólico. Em janeiro de 1945 os superiores acharam por bem efetivar o Pe.Tomás como vigário titular liberando o Pe.Valentim do encargo da paróquia. Deixaremos para outra oportunidade uma apresentação mais detalhada do trabalho desenvolvido pelo Pe.Tomás, procurando focalizar brevemente o ambiente global que viu nascer a paróquia Dom Bosco.
É de suma importância lembrar que a paróquia Dom Bosco nasceu praticamente como uma conseqüência lógica do Colégio Dom Bosco. A comunidade dos educadores salesianos tinha como objetivo formar as crianças e os jovens para serem bons cristãos e honestos cidadãos. Mas só isto não seria suficiente se não se alcançasse toda a população abrangente. Porém, o fermento necessário deveria provir de um núcleo de pessoas de sólida formação que pudesse transmitir, pela palavra e pelo exemplo, novos ideais e grande amor à Igreja. Impossível falar sobre cada um dos salesianos que passaram pelo Dom Bosco nos primeiros anos da paróquia; lembraremos os mais expressivos e conhecidos. Pe. Pedro Cometti: assistente dos internos, professor de música e canto, grande organizador. Pe. Angelo Venturelli, assistente, professor e mundialmente conhecido pela ENCICLOPÉDIA BORORO. Pe. Pedro Sbardellotto, assistente e por mais de 50 anos missionário entre os Xavantes. Pe. Bruno Mariano, conselheiro (coordenador dos estudos), construtor dos primeiro prédios da Chácara São Vicente, bom pregador. Pe.Antônio Franco, missionário das “desobrigas” em todas as capelas do interior da paróquia. Pe. Pedro Pinto Ferreira, diretor em 1941-1942. Pe.Rodolfo Wohlrab, Clérigo Gufler, Pe. Pedro Heisel, Pe. João Augusto Hadzinski, Pe.Lourenço Scribante, Pe. Domigos Corso, Mestre Jacó Maria, Mestre Francisco Veronese. Poderíamos continuar, mas isto nos dá uma idéia de quantas pessoas estiveram envolvidas no trabalho que a paróquia salesiana desenvolveu desde o seu nascimento, pessoas que marcaram a história dos salesianos em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. A eles a nossa eterna memória.
Dom Antônio Barbosa, ao apresentar o novo pároco da paróquia Dom Bosco, assim escrevia: O Pe José Foralosso, embora jovem, chega a esta missão armado de larga experiência no campo pastoral, tendo exercido com zelo e proveito o ofício de pároco em Três Lagoas e posteriormente em Araçatuba, nestes últimos cinco anos, caracterizando-se pelo apreço que dispensou ao apostolado dos leigos, adultos e jovens. O novo pároco tomava posse em 2 de março de 1975 e já no dia 5 apresentava uma longa lista de capelas e comunidades que dependiam da paróquia dom Bosco. 1 - Igreja matriz no Colégio Dom Bosco; 2 - Hospital Santa Casa; 3 - Colégio N. Sra. Auxiliadora; 4 - Noviciado das F.M.A., atual Instituto Missionário São José; 5 - Capela São Sebastião - Cruzeiro; 6 - Embratel ou Capela N. Sra Auxiliadora; 7 - Mata do Jacinto, atual paróquia do Senhor do Bonfim; 8 - Escola Miguel Couto; 9 - Educandário Getúlio Vargas; 10 - Hospital Marechal Rondon; 11 - Cadeia Pública; 12 - Capelas assistidas pelos padres da Chácara São Vicente.
A assistência religiosa era possível graças aos padres que, trabalhando no colégio Dom Bosco e na FUCMAT , aos domingos podiam dedicar-se às comunidades e capelas supra elencadas. Vale a pena relembrar os nomes desses abnegados sacerdotes: Pe. Walter Bocchi, Pe. Francisco Mahr, Pe Pompeu de Campos, Pe Félix Zavattaro, Pe.Angelo Venturelli, Pe. José Scampini, Pe. Tomás Ghirardelli, todos já falecidos, Pe. Arlindo Pereira de Lima-atual pároco de N.S. Auxiliadora-Paulo VI, Pe Morales – atualmente em Nova Xavantina –MT; Pe. André Santidrian, na Espanha cuidando da saúde, Pe Waldir Boghossian-atual bispo dos Armênios do Brasil, Pe Kaneko, atualmente em Marília SP, Pe. Alceu Vidotti, que deixou o exercício sacerdotal, Pe. José Zerbini, atual bispo emérito de Umuarama, e por fim o Pe. José Foralosso, atualmente bispo de Marabá estado do Pará.
A paróquia contava com um grupo de Vicentinos, o Apostolado da Oração, um pequeno grupo de Filhas de Maria, três da Legião de Maria e o Clubinho Vocacional. O Pe. José Foralosso, em falta de melhor meio de transporte, adquiriu uma bicicleta Monark para atender à paróquia na região urbana. Foi também logo encaminhado à `Adveniat’ o pedido para a compra de uma condução em troca do velho jeep, e o pedido de uma Kombi à organização “Aiuto alla chiesa che soffre” (Ajuda à igreja que sofre), para o transporte dos agentes de pastoral nas capelas da paróquia.
A urgente necessidade de criar um local que servisse unicamente para as atividades paroquiais fez com o bispo, Dom Antônio Barbosa, em outubro de 1975, cedesse à paróquia Dom Bosco um terreno de 70 por 80 metros, onde se pudesse construir num futuro próximo uma igreja. Pensou-se, porém, imediatamente na construção de um salão para atender às necessidades urgentes da celebração da missa e para a catequese. Para conseguir uma primeira quantia em dinheiro foi cogitada a venda de um terreno das ex-alunas salesianas.
O objetivo principal no campo pastoral, na visão do Pe José Foralosso, era formar o Conselho Paroquial. Somente uma comunidade organizada e unida poderia realizar um trabalho pastoral eficiente e realmente eclesial. Em 09 de dezembro de 1975 foram convocados os representantes de todas as forças vivas da paróquia sob a orientação do Pe. Ubajara coordenador de pastoral da diocese de Campo Grande. Sem dúvida, a Assembléia Paroquial, talvez a primeira da paróquia, foi um acontecimento importantíssimo para lançar uma ponte entre o passado e as novas exigências após o Concílio Vaticano Segundo.
Em 1976, também foi realizado o sonho de ter uma nova sede da paróquia dom Bosco dando início à construção do salão paroquial na Vila Gomes. Em março foi cercado o terreno da nova sede, e aos 12 do mesmo mês foram iniciados os trabalhos do novo salão, com 27 metros de comprimento por 12 de largura, sob a direção do Sr. Almiro Rocha. No dia 04 de maio foram feitas as vigas à altura do telhado, e no dia 29 de julho, com a presença de Dom Antônio, foi abençoado o novo salão da sede da Paróquia Dom Bosco. Não podemos deixar de lembrar duas pessoas que grandemente contribuíram para a realização da obra: a irmã Bartira e o senhor Amadeu.
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