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P. José Motta
Dados biográficos
Nascimento: 24/10/1925
Local do nasc.: Dom Silvério-MG
Falecimento: 22/06/1997
Local do falec.: Goiânia-GO
Idade: 72 anos
Transcorridos: 17 anos

CARTA MORTUÁRIA

Missão Salesiana de Mato Grosso
Rua Barão do Rio Branco, 1811
Campo Grande - MS - Brasil

P. José Motta
Salesiano de Dom Bosco
24 de outubro de 1925
22 de junho de1997

Prezados irmãos!
Não podemos deixar de lembrar a morte do nosso irmão P. José Motta. As lembranças aqui nesta terra persistem. Seu funeral foi uma apoteose e ainda muita gente se lembra de “mandar celebrar uma missa” pelo sufrágio de sua alma. Tudo isto é prova de que o P. Zezinho, como era carinhosamente chamado, soube conquistar o apreço do povo.
Testemunhos de salesianos que o tiveram como mestre nos seus anos de formação, testemunham como o P. Motta foi um digno filho de Dom Bosco, com seu trabalho de apóstolo, fiel à Igreja, ardoroso defensor do Papa, estudioso da moral, apóstolo da devoção a Maria Auxiliadora, de Dom Bosco, incentivador das vocações, mas também como bom mineiro, cultivaor da língua pátria e com alma de poeta contaminando seus discípulos com os dons que tinha recebido de Deus. Evangelizador criativo tratou de semear também nesta terra as tradições mineiras com as procissões de semana santa do Senhor Dos Passos.

O Padre Motta como era chamado pelos salesianos nasceu aos 24 de Outubro de 1925, na cidade Dom Silvério-MG. Filho de Fortunato Ferreira da Motta e de Aura Domingues. Dom Bosco o acolheu na casa de Cachoeira do Campo no dia 24 de julho de 1940. Já em 1943 estando em Lorena como aspirante temos o testemunho de Dom Onofre que lembra com saudade “No final do ano de 1943, há anos atrás, fui para o Aspirantado de Lorena, ao começarem as férias dezembro. Eu já tinha 18 anos de idade, e ia começar o prime iro ano ginasial.

Era natural que sentisse dificuldades nos estudos, pois fiquei 8 anos parados,desde que terminei o primário. Foi o Motta que todos os dias das férias me acompanhava nos passeios repetindo comigo a conjugação do verbo SER.., de todos os modos e tempos, para que eu memorizasse aquele difícil verbo!.., e como presidente da Companhia da Imaculada, me animava na vocação, e na devoção a Nossa Senhora. Quero prestar esta homenagem póstuma ao tão amigo e fiel apóstolo vocaciona. Se hoje sou bispo (apesar de minhas fragilidades) devo muito ao seu interesse por mim, no duro início dos estudos, e estou rezando por ele”. O P. Motta vai ser assim durante toda a sua vida, fervoroso apóstolo das vocaões, prestativo e amigo fiel.

Fez o Noviciado em Pindamonhangaba nos anos de 1945 e em 31 de janeiro de 1946 fazia a sua profissão religiosa na casa de Lorena, onde concluiu os estudos de filosofia.
Os anos de tirocínio serão na Inspetoria Missionária de Mato Grosso, na cidade de Tupã , e depois é enviado pelos superiores para estudar a teologia na Crocetta, privilégio concedido a poucas pessoas, Foi ordenado no primeiro de julho de 1956 pelo cardeal Maurílio Fossati. Voltando de Roma foi destinado ao aspirantado deTupã.

Nestes anos o seu trabalho está marcado pela forte personalidade que contagiou a muitos dos seus alunos e que soube despertar, como um mestre discípulos que o lembram até hoje. Escutemos o testemunho do P. Afonso de Castro que o teve como professor nestes anos e que julgo vai dar uma idéia do que foi o P. Motta.

Foi o P. Motta com seu exemplo que conseguiu despertar outras vocações em outros tempos com os mesmos ideais, Agradeçamos a Deus que por dom Bosco suscitou a nossa Congregação com o trabalho e esforço de irmãos nossos que souberam escrever estas páginas da nossa história. “Ao saber do falecimento inesperado do estimadoi Pe. José Motta, à surpresa inicial sucedeu um desejo de manifestar minha gratidão pelo que ele fizera por mim e por tantos outros jovens, de maneira especial por aqueles que seminaristas ou aspirantes, que, de alguma maneira conviveram com ele por algum tempo. Se a gratidão surge no coração de alguém é porque aconteceu alguma coisa de bom e saudável para a vida dessa pessoa, propocionada por outra gratuitamente, provocando uma emoção agradável. A esta emoção generosa que surge inesperadamente é que denominamos gratidão; faz-se algo para expressar o sentimento agradável de reconhecimento, tornando-o público e compartilhado.Pensei que a maneira mais simples e comum de expressar e tornar pública minha gratidão ao que o P. Motta fizera por mim seria escrever e testemunhar sobre sua vida de sacerdote educador segundo o coração de D. Bosco.
Expressar um sentimento de gratidão a uma pessoa viva se faz de diferentes maneiras, dando presentes, dizendo-lhe palavras elogiosas, sendo terno e amoroso para com a pessoa, manifestando carinho por meio de outras atitudes que lhe realçam a personalidade ou simplesmente auxiliando-o em alguma necessidade. Neste sentido, penso que escrever um testemunho sobre a vivência sacerdotal do Pe. José Motta, servirá para continuar o seu desejo perene de santidade salesiana e de santificação da juventude. Se o testemunho sobre sua vida levar alguma pessoa a glorificar a Deus, então sua presença incansável de lutador pelo reino de Deus, de modo especial na formação dos jovens, ainda estará atuante.

HORIZONTE HISTÓRICO

Para a compreensão e entendimento da atuação do Pe. José Motta em seu tempo de sacerdote, desde 1956, será necessário alargar os horizontes e verificar as raízes de sua formação e de seu arcabouço religioso-intelectual.
O imediato pós-guerra de 1945 prolonga-se por dez anos como caráter influenciador e formador de cultura dentro e fora da congregação. Se em âmbito mundial vive-se a vitória dos aliados, o início da guerra fria vai concretizar a polarização do mundo entre os domínios americano e soviético. A mesma polarização vai expressar-se em capitalismo e comunismo, desenvolvimento e revolução e em ateísmo-marxista e a fé. Neste horizonte, a igreja não tinha a Reforma, mas encontrou pela frente o marxismo para lhe referenciar a direção e orientação doutrinária.
Dentro da congregação o panorama vinha de uma forte influência fascista traduzida na preocupação de reestruturar a ordem religiosa, a observância religiosa interna sob a orientação de Pio Xl e de nosso proeminente Reitor-Mor .P. Ricaldone, que muito bem encarnou dentro da congregação a mentalidade reinante na Itália; a Contra-Reforma dentro da congregação tinha seu baluarte no estudantado de Turim, a Crocetta, para onde ia a fina flor da congregação para uma formação genuinamente ortodoxa dentro dos moldes de então.

Havia uma ligação muito estreita entre os superiores maiores e os estudantes da Crocetta.
A mentalidade e a espiritualidade deste tempo na congregação estão expressas nos escritos ascético-educativos de D. Ricaldone.
Politicamente, nasciam os partidos, na Itália, a DC e o PCI que iriam influenciar o eleitorado a partir de diversas posturas convergentes para as polarizações intelectuais e de militância. A militância comunista de um lado e a Ação Católica do outro. Acorrentada a esta amarração ideológica caminhava a filosofia praticada nos ambientes eclesiásticos, em especial nos seminários. Talvez a expressão não revele o fenômeno em sua abrangência, mas verificou-se nos estudos filosóficos seminarísticos a vigência de uma nova escolástica, revigorada pelo neotomismo de J. Maritain e os lampejos de um existencialismo de cunho católico de alguns filósofos franceses. Mas, a presença de correntes filosóficas diferentes, eram estudadas para serem combatidas. Exemplo anterior muito significativo foi a postura de T. Chardin ante o novo mundo que a ciência lhe oferecia e que inicialmente foi rejeitado pela igreja. Sendo que as polarizações políticas se fizeram muito fortes, também devido ao plano Marshall, e à aceleração da industrialização dos países europeus, de modo especial, a Itália dando adeus aos bolsões de feudalismos persistentes, uma nova mentalidade explodia fora dos meios eclesiásticos.

NA CONGREGAÇÃO

Em termos de governo a linha imposta por D. Ricaldone tornou-se o parâmetro de tudo. A Congregação crescia e se espalhava por toda parte. No reitorado de D.Renato Zigiotti e de D. Luís Ricceri a Congregação vai passar de vinte mil sócios. Fato que gerou uma linha de conduta no tratamento com os salesianos, por qualquer motivo dispensava-se o salesiano, pois número não era questão. Criou-se a cultura de que tudo se devia fazer por salesianos, resultando um mundo de auto-suficiência interna nas comunidades, e de uma regulamentação pormenorizada em tudo como caminho da paz em casa. No tempo de D. Ricaldone e de D.Zigiotti, tudo estava regulamentado a partir do centro, e a modalidade de ser salesiano era repetir os padrões do centro, isto é, Turim, cuja casa possuía de tudo, uma casa imensa dividida em várias comunidades. Neste tempo surgiram os Manuais, Manual do Conselheiro Escolar, do Catequista, do Enfermeiro, do Assistente... Estes Manuais concretizavam as práticas pedagógicas a partir do Sistema Preventivo. Também eles repetiam a experiência daquilo que Dom Bosco realizara: ser salesiano era imitar as ações de Dom Bosco. Foi o tempo em que os retiros tinham como assuntos obrigatórios as famosas Tradições Salesianas. De certa forma a geração que conheceu D. Bosco estava no fim e havia uma grande preocupação em garantir o bom espírito, que se apresentava mesclado com os elementos de úma realidade italiana em vigor, meio ou fascista toda, salvo os rebeldes que emigraram.
Os Atos do Conselho Superior ordenavam tudo para as diferentes comunidades do mundo inteiro. O que se fazia em Turim, devia se repetir em todas comunidades, como garantia do bom espírito. A identidade salesiana encontrava na uniformidade a sua expressão de fidelidade. Fato curioso é que isto acontecia com as outras congregações, todas, a começar pelos jesuítas. Quem leu os poemas de Carlos Drummond de Andrade, tem um documento de como era a vida de um colégio de internos dos jesuítas. Tudo era muito normal pois havia a legitimação da sociedade.
A alta intelectualidade da congregação que se concentrava na Crocetta, seguia o catecismo de todas as congregações e ordens, não havia espaço para divergências. Tivemos uma leitura ousada do marxismo por parte de um professor da Crocetta, P. Girardi, uma espécie de Leonardo Boff. A pressão foi muito grande e não encontrando mais espaço e acolhida teve que sair do estudantado. Porém, na década de cinqüenta, temos o modelo paradigmático de fidelidade do tempo, P. G. Quadrio, cuja causa de santidade está encaminhada. Sempre foi muito elogiado como sacerdote e como professor. Não havia espaço para outros ares ou correntes vigentes do pensamento. Não mantiveram a tradição que D. Bosco iniciara de mandar seus salesianos se formarem fora da Congregação, não sei o motivo. Houve um esforço sincero de se progredir na Pedagogia com a fundação da faculdade de Educação; neste sentido sobressaem os nomes de P. P. Braido e P. Carlos Leôncio da Silva.

A CONGREGAÇÃO NO BRASIL

No período da década de trinta e da segunda grande guerra, a inspe¬toria de Mato Grosso teve um inspetor - P. Ernesto Carletti - muito animado e audacioso, bem ao estilo de D. Malan, que deu, com seu carisma, a forma e a dimensão que a inspetoria tem até os dias de hoje, um pouco encolhida, é claro, pois nem sempre aparecem outros com a força para acompanhar as ousadías divinas e intuitivas do grande P. Ernesto Carletti.
A inspetoria de S. Paulo abrangia o que é hoje três inspetorias: Minas, S. Paulo e Porto Alegre. S. Paulo, por muitos motivos foi e é uma liderança inconteste. A Lapa era a Crocetta do Brasil Lorena, Pindamonhangaba, Lavrinhas, S. João dei Rey, Cachoeria do Campo, Nicteroy e, principalmente o Liceu Coração de Jesus, eram os lugares significativos da salesianidade do Brasil. Eram os padrões e a medida da atuação pedagógica e formativa de toda a atividade salesiana que se prezava então. Desnecessário afirmar, mas, aqui se fazia como se fazia em Turim e nos tempos de D. Bosco. A organização das atividades se processava a partír da matriz escola e da escola legitimada pela sociedade que era o usual de todas as congregações educadoras, como os marístas, jesuítas, lassalistas... a escola para internos.

O padrão ou paradigma da formação dos salesianos, repetindo o centro da congregação, tinha em mente a demanda da escola e das escolas de aprendizes. Na nossa inspetoria além de acontecer este tipo de formação, a necessidade ou a urgência pastoral apontava algumas variantes pois tínhamos as missões e a prelazia para atender.

A identidade salesiana foi sendo edificada por estes fortes agentes sociológicos que eram legitimados pela sociedade brasileira. A eficiência de tal metodologia teve no Liceu Coração de Jesus a excelência em todos os sentidos. A igreja reconheceu este fato, fazendo bispos os diretores desta escola e os inspetores de S. Paulo. Exemplo, Dom. Orlando Chaves, Dom. Antônio Barbosa e outros. Por outro lado, os ex-alunos do liceu mostraram e mostram até hoje que a metodologia da época alcançou um grau de excelência educativa. Afirmam, estes ex-alunos, hoje já de ídade, a força de suas convicções a partir da postura, dos hábitos e dos costumes da época do internato do Liceu C. de Jesus. Uma simples conversa com ex-alunos da década de quarenta ou cinqüenta mostrará a força afetiva e de convicção que se passava aos educandos”.

A LEGITIMAÇÃO DA SOCIEDADE

Como era a sociedade brasileira das décadas de quarenta e cinqüenta? Alguns dados configurativos desta sociedade que se remetia à Europa, França, e aos Estados Unidos como referenciais de cultura partiam das cidades, Paris, Londres e New York que ditavam a moda e os costumes.

Buenos Aires, Caracas e Rio de Janeiro eram os referenciais mais próximos da cultura, da moda e dos costumes na América do Sul. No Brasil, com Rio de Janeiro como capital vivia-se o glamour dos programas de auditórios das rádios; a época foi marcada pela revista O CRUZEIRO (do Amigo da Onça) e mais tarde, já na década de sessenta, pela revista REALIDADE. Principalmente o Cruzeiro trazia a vivência de Buenos Aires e de Caracas para o consumo nacional para um Brasil de cinqüenta e oito milhões de habitantes, sendo que a maior parte residia na zona rural. O café era a cultura que produzia a riqueza ostensiva da elite rural. Um país tipicamente rural que via o surgir da televisão mas vivia de ouvido nas novelas cubanas que as rádios apresentavam, ou que sabia dos programas ao vivo nos auditórios das diversas rádios mais famosas devido aos cantores e aos apresentadores.

Mais precisamente, no estado de S. Paulo as culturas do café, do algodão, da cana-de-açúcar e do amendoim formavam o novo horizonte social que puxou o desenvolvimento para a direção da barranca do Paraná, para a conquista e o desbravamento do estado do Paraná, sem acenar para a colonização paulista das férteis terras do sul do Mato Grosso do Sul, (Dourados, Amambay, Ponta Porã...)

A cultura do café determinou um tipo de sociedade no interior de S. Paulo, em especial depois de Itu, Bauru. Nasciam inúmeras cidades e os índios oram rechaçados. Eram cidades ruralizadas, com vida típica a partir do comércio dos produtos agrícolas, com a pequena elite rural que convivia com os parentes ou com os próprios fundadores destas cidades; outro fator decisivo desta época foi a convivência com os mais variados tipos de emigrantes estrangeiros, sobressaindo pela cultura diferenciada, os japoneses.

Numa sociedade ruralizada, a cidade interiorana ligava-se à capital pelas redes ferro viárías e posteriormente pelas novas estradas asfaltadas. Mas o que era uma matriz significativa desta época e muito interessante como princípio legitimador de comportamento e de mentalidade, foi a organização rural das grandes fazendas de café. Estas grandes fazendas necessitavam de trabalhadores para o manuseio das lavouras. Surgiu o que se denominou de “Colônia”. Estas colônias eram verdadeiras unidades sociais rurais autônomas, com leis próprias e autonomia assegurada para a sua vida social, cultural, religiosa. Seria interessante que se estudasse a qualidade das relações que se estabeleciam em termos de demanda social, de demanda de consumo de subsistência, de progresso e de produção cultural, ao lado da produção da lavoura. Essa matríz foi por um tempo a utopia da população trabalhadora em que tudo se organizava quase como um quibutzd israelense com a autonomia das famílias. Com a deterioração da qualidade e dos meios de produção, da quebra das relações trabalhistas, com a premente urbanização, os bóias-frias tornaram-se os herdeiros desta força de trabalho no interior de S. Paulo.

A sociedade de então, legitimava a atividade dos religiosos e, por conseguinte a dos salesianos na manutenção de uma formação e instrução a partir da matriz do internato, pois de certa forma reproduzia-se a matriz rural, O mundo do internato era altamente autônomo e auto-suficiente. No recinto do internato aconteciam os fatos culturais significativos para a cidade. A educação salesiana, de modo especial a formação dos adolescentes daquela época, no internato, refletia a formação que as famílias esperavam. Talvez a escola pública representasse uma atitude de maior liberdade de pensamento. Convém realçar que a escola pública era de alta qualidade e era a elite que nela estudava. A título de exemplo ver o Instituto de Educação de Araçatuba, O Colégio India Vanuíre de Tupã, O Colégio Maria Constança de Barros de Campo Grande, O Liceu de Goiânia, e outros. Os salários e o status dos professores eram muito diferentes do que se vê hoje nas escolas públicas.

OS REFERENCIAIS DA INSPETORIA DE CAMPO GRANDE

A expansão da inspetoria em direção ao oeste de S. Paulo e de intenção até o Porto de Santos, por necessidades de subsistência, teve na pessoa do P. Carletti seu incentivador e realizador. As casas de S. Paulo nasceram por extrema necessidade de se angariar meios de subsistência para as ,atividades da inspetoria, que era paupérrima, segundo testemunho dos salesianos mais antigos. A escola, os internatos e as casas de formação chegaram via matriz paulista, vale dizer, por inspiração e modelo do que se fazia em S. Paulo. De lá não somente se trouxe a idéia, o modelo, mas as pessoas também. Por primeiro veio o bispo D. Mourão, depois vieram P. Mário Forgione e P. Otacílio de Oliveira. Fundado pelo bispo e passado para a congregação o Colégio de Lins tornou-se a sucursal do Liceu Coração de Jesus. A riqueza da cultura cafeeira possibilitou que este colégio se tornasse o modelo de muitas açôes pedagógi-cas pára a inspetoria toda. Os salesianos que vieram de S. Paulo, tinham experiência e personalidades fortes e marcantes. Ao redor deles o colégio cresceu e se impôs como exemplar. A sociedade legitimou o modelo, tanto que os protestantes também tinham seu significativo internato, polarizando as atenções em relação aos salesianos. As figuras do P. Mário Forgione e do P. Otacílio de Oliveira foram decisivas e monumentais dentro deste processo de identidade da ação pedagógica salesiana.
Ao lado do Colégio de Lins, contemporaneamente surgiram os colégios de Tupã, de Araçatuba e de Lucélia. Todos eles tinham a mesma matriz sócio-pedagógica para a demanda social idêntica. A vida salesiana nestes colégios modelava a identidade salesiana para aqueles tempos. Aí deveria acontecer o que se fazia nos grandes colégios de S. Paulo. Por sua vez, em Tupã, em Araçatuba, em Lucélia e em Campo Grande, a vida corria conforme o modelo, que era Lins do P. Mário Forgione. (- Nós de Lins! Era a expressão diferenciadora.)
Mais tarde, veio P. Félix que continuou a liderança instituída pelo P. Forgione. P. Otacílio sempre permaneceu em Lins. P. Mário Forgione também trabalhou em Araçatuba, que na época não tinha nada para rivalizar com Lins. A cidade de Lins viveu o glamour de uma época de muita riqueza proporcionada pelo café.

Para a casa de Lins que liderava a inspetoria como matriz, normalmente iam os salesIanos mais bem dotados, mais dados ao trabalho de escola.
Tupã teve um grande impulso com o governo do P. Heitor Castoldi que trabalhara em Lins com o P. Mário. Deu vida nova ao colégio e construiu a última parte do prédio. Tornou o colégio muito respeitado na cidade e estimado pelas autoridades. Repito, P. Castoldi trabalhava, repetia a matriz, Lins na condução da vida salesiana. Ressalva-se que em Tupã o internato era um aspirantado. (Onde estudei de 1955 a 1959, sob a direção do P. Heitor Castoldi). Posteriormente, 1959, quando os salesianos foram convidados para abrirem casas (colégios) em Presidente Prudente, em Bauru ou em Marília, estando no governo da inspetoria o P. João Greiner, cújo governo se direcionava para outros focos, não se percebeu a falha histórica que acontecia. Foi para dentro desta realidade sócio-pedagógica, que o P. José Motta foi enviado, como neo-sacerdote, para a função de catequista, após retornar, em outubro de 1956, de Turim, da Crocetta, do coração da congregação. Desta forma é que passei a conviver com ele durante três anos e pude verificar a fidelidade de sua vocação salesiana.

O COLÉGIO DE TUPÃ

Tudo que se afirmou anteriormente acontecia no colégio-aspirantado de Tupã. Talvez os meus colegas desta época que estão na inspetoria, e que eram alunos-aspirantes possam discordar ou acentuar outras facetas da personalidade salesiana do P. Motta pois a memória e os pontos-de-vista nem sempre coincidem. De memória sei que estavam lá nestes anos, além de mim, o P. Osmar Bezute e o P. Arlindo P. de Lima; por algum tempo também esteve o garotão Valério Utel.

Além de catequista ou coordenador de pastoral, P. José Motta foi meu professor de português durante estes três. Não sei se teve formação específica para esta função. Foi um professor dentro de seu horizonte e de seu alcance. Sustento que desempenhou sua atividade com competência acima da média. Através dele, fiquei conhecendo a gramática de Carlos Eduardo Pereira, os textos de Marques da Cruz e o meu primeiro contato com os autores brasileiros e portugueses. Decorava-se poesia, sempre. Desde Casemiro de Abreu a Olavo Bilac, de Castro Alves a D. Francisco de Aquino Correia, de Bastos Tigre a Guerra Jun queira, de Gamões a, no máximo Manuel Bandeira. Como sua formação e matriz passava do classicismo ao parnasianismo, neste horizonte, como se fazia na Itália, os autores eram expurgados e, aqui não havia lugar nem no pensamento, para autores como Carlos D. de Andrade ou para Cecília Meireles. Com o reforço de D. Aquino, procurava-se o parnasianismo como referencial estético de toda a poesia. Faziam parte do ufanismo que se vivia nesta época alguns poemas de Cassiano Ricardo sobre o café. Não por má vontade do P. José Motta, os textos escolares eram muito pobres... e o Florilégio Nacional do salesiano P. Lélis de Lorena trazia pouca coisa. É verdade que existia o manual de literatura do P. Ebion de Lima, mas ficou para mais tarde. Dessa forma é que decoramos mais da metade do primeiro canto de “Os Lusíadas”.

Quero realçar que P. José Motta fez até milagre nestes tempos difíceis culturalmente, pois promovia entre nós tertúlias literárias e até tentou fundar algumas academias patenteando as do barroco. Hoje vejo que nos mantinha em atividade e tentava mostrar outros caminhos que a arte da língua oferecia. Não se preocupava muito com técnica de redação, escrever corretamente era um pressuposto. Como era de costume, ele gostava de poesia e sempre escreveu poemas, logicamente, de métrica perfeita como mandam os ditames do parnasianismo.

Como catequista esteve sempre presente em nosso meio e exerceu sua atividade educativa a partir da comunidade, não invadindo o campo dos outros salesianos. Como catequista cuidava dos doentes e de nosso progresso espiritual. Dava-nos aulas de formação litúrgica, explicando-nos tudo o que se referia ao altar e às celebrações. Nestas aulas transmitia todo o ideal salesiano de participação nas celebrações com a devida postura, respeito. Expressava sua alegria quando as cerimônias corriam bem e os cantos bem executados, bem como manifestava suas críticas formativas.

Cuidava das Companhias, que eram as atividades de grupo da época. Como receberam este nome na Itália, aqui funcionavam os mesmos grupos, vale dizer, as mesmas Companhias; a da Imaculada para um grupo seleto, a do Santíssimo Sacramento para os adolescentes, a de S. Luís para os menores e a de S. José para a turma mais empenhada em trabalhos manuais. No início fui da Companhia da Imaculada, quando chegou a minha adolescência braba, fui para a Companhia do Santíssimo.

Preparava com esmero os Exercícios da Boa Morte e incentivava-nos para a leitura das biografias dos santos, procurando imitar-lhes os exemplos. O retiro anual de três dias, sempre com um bom pregador, convertia-nos a todos, sempre houve bons propósitos e na simplicidade da vida, torcíamos para que os mais relapsos dessem menos trabalho. P. Motta sempre ali, acompanhando-nos com a dedicação de um irmão maior.

A vida no internato era movida a festas ou a um ritmo litúrgico marcado pelas grandes celebrações; entre todas as celebrações sobressaíam o mês de maio e a festa da gratidão ou festa do diretor. P. Motta promovia campanhas e orações especiais; durante o mês de maio entusiasmava a todos a um amor filial para Nossa Senhora. Nestas atividades seguia o modelo que era estabelecido, a qualidade da atenção e da dedicação era o que sempre diferenciou sua postura. Não media esforços.

Não sei qual foi o autor que ele estudou nos tratados de teologia; este era o aspecto que não batia com as nossas intuições de adolescentes. Tinha por base de suas pregações dominicais, na segunda missa dominical, como era o costume, não deixar de falar do pecado. Podia falar de outros assuntos, mas retornava para o pecado. Tive colegas que ficavam contando as vezes que falava a palavra pecado, usando para isso o terço que religiosamente todos traziam no bolso. Em algumas ocasiões o terço teve que ser reiniciado.

Como professor de português e como catequista, incentivava as leituras edificantes. Pessoalmente era um dos que mais lia no seminário. Lia o que houvesse, de modo especial livros de aventura. Houve uma época que lia um volume de Júlio Verne por dia. Tal fato chegou-lhe aos ouvidos. Ele me chamou para uma conversa no escritório. Resultado, iria ler livros formativos, todos que ele me arrumasse. Li-os todos e na ausência de outros tive que terminar a coleção de Júlio Verne, de Karl May, de Franz Treller, de Ugo Mione, e toda a coleção das Leituras Católicas. Nesta época chegaram os livros novos das Paulinas: Fabíola, Ricardo Coração de Leão, Sem Família.., e outros tantos. (Lógico, menos os romances da literatura brasileira pois eram proibidos e nada recomendáveis.) - Imaginem, mais tarde o P. José Motta, sabendo que eu exigia dos aspirantes do segundo grau a leitura de quase quinze romances por semestre! Não deve ter sido fácil para ele ver tal destempero.

Nas férias, como era costume, os que iam para casa, partiam somente depois da Festa do Natal. P. José Motta industriava-se para manter-nos ativos. Criou uma república de alunos cujo dinheiro era a pataca com direito a banco e tudo... ao final as premiações incentivam-nos a nos empenhar em todas as atividades desta república que encheu nosso imaginário de possíveis conquistas e de muita e acirrada disputas eleitorais. Lembro-me que tínhamos um colega de Uru, João de Souza Carvalho, que mais tarde foi candidato a prefeito de Campinas pelo PL sendo muito exaltado em seus comícios suscitou uma intervenção federal do diretor, para evitar maiores problemas ocasionados pelo excesso de entusiasmo partidário. Isto mostra que subliminarmente sua dedicação era vivida como queria Dom Bosco, no meio dos jovens, gostando do que eles gostam para que seguissem uma orientação sadia.

De outra feita, aconteceu um passeio geral numa grande fazenda; após o jogo com o pessoal da colônia, dos cantos que alegravam a todos, dos agradecimentos pela abundância da alimentação, houve a visita ao alambique da fazenda. Tudo correu bem até que se percebeu que alguns experimentaram demais o líquido branquinho que escorria sem parar. Pe. José Motta ficou tão decepcionado que percorreu metade do trajeto de volta a pé e não quis que ninguém o acompanhasse. Tal manifestação de desgosto consternava a maio¬ria que não queria ver um superior, como se dizia naqueles tempos, desgostoso.

Em três anos de convivência e nunca soube se o P. José Motta gostasse de alguém com afeição particular, tinha um amor por todos indiferentemente das pessoas, tinha grande atenção e cuidado para com todos. Poderia concluir que sentíamos que alguém se importava com qualquer um de nós. Sempre perdoou nossas falhas de adolescentes, e nos mostrou com carinho o caminho saudável da vida de piedade. Queria-nos todos santos, era impossível, mas não tinha receio de apresentar uma proposta clara como O. Bosco fizera a D. Sávio.

Este foi o salesiano modelar com o qual convivi três anos, recebendo amor, carinho e, principalmente o exemplo de uma dedicação entranhada para com a congregação. Dentro dos paradigmas que foram apresentados, P. José Motta foi modelar, e nisto fazia consistir a sua consagração e a sua fidelidade à congregação. Penso que a maior fidelidade à congregação Pe. José Motta mostrou sendo coerente em suas propostas quanto à vida salesiana de dedicação aos jovens e aos formandos, futuros salesianos. Esta fidelidade traduzia-se em suas orientações e em sua vida exemplar. Seu ideal era trazer a vida da fonte, que aprendera na Crocetta, e em S. João deI Rey, em Lorena, da fonte genuína do espirito salesiano, da aplicação e da prática do sistema preventivo. Este, embora codificado em ações padronizadas, ganhava nele a limpidez do afeto, do carinho e da dedicação. Esta, a meu ver foi a maior expressão de sua fidelidade nesta época.

Sinto-me obrigado a expressar minha gratidão para com este grande salesiano que viveu numa época em que sobressair era proibido, aliás esta nunca foi sua intenção, mas digo, foi de uma dedicação que perante o coração de Deus e de D. Bosco, e de seus educandos, sobressaiu pela simplicidade e carinho. Seu horizonte de santidade veio expresso pela cultura da época e pelas expressões de santidade que a congregação consagrara; quase impossível ser diferente. Sua vida para nós falou com a linguagem daquele tempo, e esta fala foi entendida como expressão de lídima fidelidade ao espírito salesiano e ao sistema preventivo.

P. JOSÉ MOTTA DEPOIS DOS ANOS SESSENTA

Após minha ida para o noviciado, não tive mais oportunidade de conviver com o P. José Motta, a não ser em encontros, em retiros. Sei que esteve acompanhando o aspirantado para onde este imigrou. Esteve em Lucélia vários anos, posteriormente foi para esta casa de Araçatuba, e agora imigrou para o espaço, pois os tempos são outros. Também esteve na casa de formação em Coxipó e no seminário menor diocesano de Campo Grande, quando os salesianos eram os encarregados dos seminaristas menores da arquidiocese. Finalmente, por muito tempo foi o recrutador, encarregado das vocações na inspetoria. Criou uma modalidade de atuar como encarregado das vocações tão eficiente que os encarregados que vieram depois, não tiveram problema. Criou grupos de leigos que sustentavam este trabalho com ações e com recursos.
Sua maneira de ser salesiano fiel à congregação e à inspetoria, foi a de trabalhar no ‘escondimento’ e não aparecer, bem como não alardear o que fazia. Sempre humilde, soube granjear a amizade de tantas pessoas para com a congregação; não era de seu feitio ter amizades ou relações que visassem sua pessoa, mas em primeiro lugar o bem dos vocacionados e da congregação ou de seus fiéis, por fim. Penso que nestes tempos de cultura alicerçada no simulacro, na aparência, P. José Motta foi o contrário: dedicou-se no ‘escondimento’, conseguiu uma fidelidade límpida em sua intenção. Mesmo quando viu os insucessos e as contradições por que passou nossa inspetoria no setor da formação, nunca destratou ninguém, nem esteve reclamando, lamuriando-se. Aceitou tudo sem rebeldias e, penso, a Deus tudo reportava.
Após o Concilio do Vaticano II, deve ter sido difícil para ele enfrentar os novos ares que advieram da mentalidade de renovação, de mudanças que perpassaram pela igreja, pelas mais diferentes mentalidades que tentaram implantar no campo da formação... Penso que sua aparente resistência era devido às inconseqüências das atitudes e das propostas em termos de expressão do espírito salesiano, da identidade salesiana. Era visível sua resistência aos novos paradigmas, porém sua vida me permite inferir que jamais deixaria de aderir a propostas que explicitassem com esmero a vocação ao carisma salesiana. Sua fidelidade aos jovens não lhe furtaria de estar ao lado deles em qualquer época com uma proposta coerente e honesta.
Por fim quando deixou de trabalhar no setor da formação, vêmo-lo com a mesma dedicação e agilidade a trabalhar em sua paróquia. Agilidade e criatividade, as qualidades que as modernas empresas pedem de seus funcionários, P. José Motta colocou estes seus dons a serviço da comunidade paroquial. Os frutos mais visíveis de que se tem notícia foram os preparativos para mobilização do povo para a Semana Santa deste ano. Convidou-me para auxiliá-lo nas prega ções, não pude ir devido a compromissos assumidos anteriormente. Conseguiu realizar o seu sonho de mobilização para a participação massiva do povo nas celebrações da Semana Santa. Esbanjou juventude e entusiasmo. Ao redor de sua fidelidade outros são e procuram ser fiéis. Esta criatividade em vista do bem dos jovens sempre o acompanhou. Como encarregado das vocações, como Dom. Bosco, tornou-se mágico para atrair e divertir os meninos.
Um salesiano idoso e criativo, só pode ter um coração habitado por um grande amor; e mais ainda, se este aprendeu a amar no ‘escondimento’ e no recesso da solidão, onde a intimidade com Deus se aprofunda.


OUTROS DESTAQUES
Queria ressaltar uma de suas características que sem querer fui testemunha: leitor dos Santos Padres. Numa ocasião veio me pedir dois volumes dos comentários bíblicos de Santo Agostinho que estavam na biblioteca da UCDB. Mais tarde é que pude ver que era um bom leitor de Santo Agostinho. Deveria, ao lado de Bernardes, que citava muito nos tempos de professor de português, alimentar a sua sede de Deus que se traduzia na imitação dos santos. Era muito comum na época valer-se o pregador de exemplos tirados da vida dos santos. Neste horizonte deve-se incluir as citações de dois santos que lhe eram muito familiares como expressões de uma sólida devoção a Nossa Senhora: S. João Berckmans e S. Luís Grinhon de Monfort.
Salesianamente, além de valer-se da biografia de D. Bosco, de D. Sávio, valia-se de S. Francisco de Saies. Foi por sua sugestão que li as obras mais significativas de S. Francisco de Saies. Embora não tivesse o entendimento necessário para muito entender da mística “salesiana”, deu-me a iniciação para despertar um desejo que somente depois de uns trinta anos tive a sorte de poder entender devidamente.
Outro destaque é afirmar que trabalhava para ter um lugar, uma chácara para os passeios dos meninos e jovens. Quando se tratava de servir a Deus na pessoa de meninos e jovens, não tinha vergonha de pedir a quem quer que fosse. Nesse particular teve o de que necessitou por generosidade das pessoas que nele confiavam, mas nunca se viu dizer que utilizasse de tais recursos em benefício próprio. Aliás sempre foi muito pobre e até em casos de doença procurava não onerar a inspetoria.

CONCLUSÃO

Em tudo que escrevi, embora muito genericamente reitero o desejo inicial de testemunhar minha gratidão a este servo bom e fiei salesianarnente, na inspetoria de Mato Grosso, afirmando sua fidelidade construida no ‘escondimento’ e na coerência de vida conforme os paradigmas que ele recebeu. Seu amor à congregação teve manifestações sobejas de genuína fidelidade ao esírito que assumiu e vivenciou: o ser salesiano.

Devo muito à sua bondade em ter me tolerado na adolescência e tentado me mostrar o caminho da coerência e da fidelidade, da alegria e da constância, da criatividade e da disponibilidade. $ó não consqgui enfocar sua capacidade de não aparecer para os homens que ele exemplificou com galhardia.

Para mim, sua resistência à cultura dos novos tempos tem na falta de coerência da vivência do espirito salesiano a principal causa. Deus sabia de antemão suas intenções.. ..
Pe. José Motta foi um representante do moda de ser salesiano para as expressões paradigmáticas do seu tempo, foi honesto e coerente ao segui-las. Nin¬guém poderá ainda indigitar-lhe alguma incoerência quanto à honestidade de suas intenções;se ficou afastado da formação dedicou-se à inspetoria no serviço paroqui¬aí com o.mesmo entusiasmo de sempre. Foi um grande salesiano segundo o coração de D. Bosco para o reino de Deus e de sua rainha, a Virgem auxiliadora.

Que da convivência definitiva com a sagrada famiia e com todos os santos salesianos, numa liturgia eterna de uma alegria infinita na plenitude de seu desejo concretizado de amor verdadeiro, interceda por nós, pelas vocações para a inspetoria. Também interceda pelos nossos dirigentes salesianos para que acertem o caminho da identidade salesiana nas expressões culturais dos tempos de hoje, ou em outras palavras que nossas gerações dêem conta de inculturar coerentemente o carisma que D. Bosco nos deixou para sermos um presente a todas as dioceses em que atuamos. Pessoas como o Pe. José Motta farão sempre brilhar a luz verdadeira do amor de Deus pelo filtro da fidelidade salesiana”.

Até aqui o testemunho do P. Afonso que acredito é um panegírico completo do que foi o Pe. Motta. Exerceu ainda o seu apostolado em Lucélia e em Túpã como confessor e a seguir como promotor vocacional. Em 1968 foi nomeado Reitor do Seminário diocesano do Coração Eucarístico, posteriormente foi diretor de Lucélia e voltou a ser promotor vocacional de 1974 a 1978. Foi dirètor do Aspirantado de Coxipó em 1984 e desde 1986 exercia o apostolado paroquial em Nova Xavantina. Adoentado foi levado às pressas a Goiânia, onde veio a falecer por insuficiência cardíaca no dia 22 de junho de 1997.

Ainda hoje, aqui em Nova Xavantina, pessoas muito humildes que receberam o exemplo de sua vida se lembram da sua figura paterna e salesiana. Como vigário ao lado do P. Eduardo Ambrósio continuou o seu apostolado vocacional e enviou sempre candidatos ao sacerdócio e salesianos irmãos. Era proverbial a sua insistência para que as pessoas que sabia que podiam ajudar contribuíssem para apoiar financeiramente aos vocacionados. Dirigia uma pequena oficina para dar emprego a menores e assim evitar que perambulassem pelas ruas. Construiu uma bela igreja conseguindo o apoio da cidade. Por seu trabalho, aqui também ganhou o apreço da população. Recebeu o título de cidadão da câmara de vereadores e da prefeitura. Embora não tenha em vida sido objeto dessa honraria, a prefeitura fez questão de entregar para os salesianos o título. Em sua homenagem a praça da igreja leva o seu nome. No seu funeral uma verdadeira multidão de povo acorreu para render a sua última homenagem ao P. Zezinho como era carinhosamente chamado e os seus amigos conseguiram de seus familiares e da congregação que seus restos mortais. ficassem nesta cidade.

Este belo testemunho do nosso irmão, querido por todos, no mundo salesiano e católico foi de grande ajuda para mim; creio que assim acontecerá para todos. Pedindo uma prece por esta casa salesiana e pelos irmãos que aqui nos encontramos, assim como também pelo descanso eterno do nosso P. Motta.

P. Guilherme Morales – SDB
e Comunidade Salesiana de Nova Xavantina

Nova Xavantina, 12 de junho de 2002

 

Dados para o Necrológio
P. JOSÉ MOTTA - SDB
Nasceu em Dom Silvério - MG, a 24/10/1925; faleceu em Goiânia - GO, a 22/06/1997 aos 51 anos de vida religiosa e 41 anos de sacerdócio
 

Irmãos Falecidos
Filtros:
Nome: Por ordem:
Ano: Mês:
Salesianos falecidos: 277. Listando de 1 a 40
Salesiano Falecimento Idade Local do falecimento
Ir. Acúrsio Schinelli 26/09/1972 43 Araguaiana
P. Adálgiso Pio Maestro 12/09/2002 83 Campo Grande
P. Afonso Barone 05/11/1979 70 Cuiabá
P. Agostinho Colli 14/03/1953 84 Cuiabá
P. Alfeo Levorato 14/05/2007 89 Campo Grande
P. Amado Decleene 28/05/1974 82 Cuiabá
Ir. André Serra 20/03/1965 51 Rio das Mortes
P. André Soltys 04/10/1981 82 Campo Grande
P. Angel Adolfo Sanchéz y Sanchéz 01/03/2008 75 Campo Grande
Clérigo. Ângelo Cricco 04/03/1911 37 Cuiabá - Coxipó
Ir. Ângelo Fossati 07/01/1973 73 Itália
P. Ângelo J. Venturelli 19/05/2006 90 Campo Grande
P. Ângelo Moser 12/08/1990 77 Itajaí-SC
Ir. Ângelo Sordi 05/04/1956 82 Cuiabá
Ir. Ângelo Spandri 01/11/1981 70 Guiratinga
P. Antônio Achilli 03/05/1986 77 Itália
Ir. Antônio Aparício 04/12/1967 90 Campo Grande
Ir. Antônio Baldi 19/10/1911 29 Barreiro
D. Antônio Barbosa 03/05/1993 82 São Paulo
Ir. Antônio Capelli 03/04/1982 66 Itália
Salesiano Falecimento Idade Local do falecimento
P. Antônio Colbachini 12/03/1963 79 Itália
P. Antonio Dalla Via 11/08/1956 86 São José dos Campos
P . Antônio de Bella 19/11/1903 57 Lorena
P. Antonio de Lourdes Ledo 22/07/2007 78 São Paulo
Ir. Antonio Gama 10/10/1964 74 São Paulo
Ir. Antônio Guerrero 05/10/1959 67 Cuiabá
P. Antônio Kuczerowski 20/11/1971 72 Campo Grande
E. Antônio Lustosa 14/08/1974 88 Carpina
E. Antônio Malan 28/10/1931 67 São Paulo
P. Antônio Marcigaglia 04/06/1966 85 Araxá, MG
P. Antônio Maria Franco 08/08/1946 70 Campo Grande
P. Antônio Marto 25/11/1930 49 Coxipó
P. Antônio Ragogna 07/03/1963 87 Estados Unidos
E. Antonio Sarto 01/01/2008 82 Campinas
P. Antônio Secundino 20/03/2005 85 Indápolis (Dourados) MS
P. Antônio Tomé Colussi 27/08/1994 82 Cuiabá
P. Antônio Wasik 08/04/1954 44 Campo Grande
P. Arcângelo Moratelli 08/06/2003 87 Santa Rosa-SC
P. Ariento Domenici 25/12/2004 83 Araçatuba
P. Armindo de Oliveira 23/12/1918 36 Cuiabá
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