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P. Philipp Zentner
Dados biográficos
Nascimento: 02/12/1924
Local do nasc.: Altheim_Alemanha
Falecimento: 08/06/2008
Local do falec.: Campo Grande
Idade: 84 anos
Transcorridos: 6 anos

Pe. Filipe Zentner nasceu em Altheim, sul da Baviera, perto da fronteira com a Áustria. Sua cidade natal é pequena, com pouco mais de 500 habitantes. Lá todas as famílias se dedicavam à agricultura. Ele é o segundo de um grupo de onze filhos. Nasceu no dia 2 de dezembro de 1924. Foi batizado no mesmo dia. Recebeu bem mais tarde a crisma, aos 12 anos, em 8 de junho de 1936. De família igual a todas as outras de sua cidade, ali, todos dedicavam-se ao trabalho na lavoura e viviam do que produziam no campo. O pai, Filipo, gerenciava o trabalho, e sua mãe, Maria Kottman, cuidava da casa. Portanto, de uma família tradicional, o garoto Filipe Zentner frequentou a escola pública até os 15 anos.

Posteriormente, para auxiliar os pais, foi trabalhar numa fazenda próxima da cidadezinha natal. Desde cedo aprendeu a necessidade de se trabalhar para sustentar a vida. Porém, durante esse tempo, em 1939, algo muito cruel estaria acontecendo no mundo e em especial em seu país: a segunda guerra mundial. Sob o império de Hitler, nenhum jovem alemão normal e saudável estaria fora de ser chamado para o exército. Filipe Zentner foi convocado para se integrar ao exército. Dois de seus irmãos também foram convocados para o exército. Como soldado teve que se deslocar para vários fronts: Áustria, França e fronteira com os países escandinavos. Um de seus irmãos retornou mais tarde para casa. mas por pouco tempo. Estava muito adoentado e veio a falecer logo. O segundo irmão, ao final da guerra, foi feito prisioneiro pelos russos. E a mãe do Pe. Filipe, por muitos anos, sempre esperava pelo retorno desse filho do qual nunca mais soubera o paradeiro. Ficaram sem saber para onde teria sido deportado e quando veio a falecer.

O primeiro trabalho para que fora designado, como soldado, foi cuidar de trilhos das estradas de ferro. Cuidava da manutenção das linhas férreas. Feito prisioneiro pelos ingleses, na Iglaterra, passou a trabalhar em construções. Nesse período, para o prisioneiro Filipe a questão mais difícil era permanecer sem notícias da família; podia escrever ou receber correspondência somente uma vez por mes.

Depois de um tempo na Inglaterra, foi transferido para os Estados Unidos. Teve que aprender a língua inglesa e traba!har sob regime de custódia. Em conversas com seu diretor, Pe. Ademir, no hospital, no final da vida, falou sobre esse período em que foi prisioneiro por quatro anos. Antes do tempo de prisão militar, serviu ao exército alemão por um ano.

Assim pode-se concluir que o tempo de soldado na guerra deve ter acontecido no auge da guerra, em 1939/1940. Até 1945, quando terminou a guerra, passara os quatro anos de prisioneiro militar; o primeiro ano na Inglaterra e os outros tres nos Estados UnJdos. Pe. Filipe afirmou ao Pe. Ademir que, nos Estados Unidos, um pouco mais livre, trabalhava em construções, um pouco melhor que na Inglaterra. Segundo relatou ao Pe. Ademir, foi nesse tempo de prisioneiro que, ao pensar em sua juventude, vinham as imagens de sua terra natal; apreciava as alegrias do tempo bom de adolescente e de momentos felizes que passara em sua terra. De modo especial se recordava dos passeios com os colegas organizados pelo pároco. Teve saudade das festas da igreja, lembrava das alegrias por ocasião das festas litúrgicas onde todos se reuniam felizes para celebrar e festejar.

Dessas recordações e dos momentos lembrados da alegria dos jovens, começou a brotar em seu coração um desejo de, quando voltasse, quem sabe fosse falar com o pároco para ser ele também um sacerdote. Diante da tristeza da guerra, dos sofrimentos horríveis, das tragédias presenciadas, o desejo de se dedicar aos outros e de ser sacerdote foi se solidificando em seu coração.

Como de fato aconteceu. Ao retornar, foi falar com o pároco sobre seu desejo de se tornar sacerdote. O pároco, talvez sabendo do costume de os salesianos cuidarem de vocações de jovens mais avançados em idade, julgou conveniente apresentá-lo aos salesianos.

Quando a guerra terminou, então foi conduzido para a sua pátria, para a sua terra natal. Como a guerra finalizara em 1945 o rapaz Filipe, ex-soldado alemão, estava com 21 anos de idade. De acordo com o seu testemunho ao Pe. Ademir, o jovem Filipe foi falar com o pároco e esse encaminhou-o aos salesianos depois de algum tempo de justa adaptação à nova realidade de sua família e de sua cidade natal. Teve a vantagem de ter aprendido a língua inglesa; porém em sua cidade natal tal fato não lhe adiantou muito.

Sua entrada para a casa salesiana e sua formação inicial

A data significativa seguinte mostra que, em 1948, já aos 24 anos, ingressou no aspirantado de Benediktbeuern. Esse foi o primeiro contato com a vida salesiana. Iniciava-se assim a concretização de seu desejo antigo de se tornar sacerdote para poder promover o bem do povo. Permaneceu no aspirantado mais ou menos dois anos e meio. Tendo sido aceito para ingressar no noviciado, deixa Benediktbeuern e vai para Ensdorf; iniciando o ano de noviciado no dia 1°de agosto de 1951. Marcava a vida religiosa como outra etapa muito diferente dos tempos passados na guerra e como prisioneiro na Inglaterra e nos Estados Unidos.

A vida no aspirantado, desde 1948, e agora a vida no noviciado devem ter proporcionado ao ex-soldado do exército de Hitler uma recuperação saudável. Agora, com a paz de alma e deixando para trás todos os sofrimentos dos momentos terríveis dos combates e do exílio, em Ensdorf, local mais simples e mais aconchegante, o jovem Filipe deixou essa etapa da história como um tempo passado para sempre. Reinicia novo tempo de possibilidades como salesiano. Ao final do noviciado fez a primeira profissão religiosa no dia 15 deagosto de 1952. Justamente no final do noviciado deve ter feito o pedido para seguir para as missões, pois ao contrário de todos os colegas, vai ser assistente no colégio de Buxheim. Período curto de assistência, pois, no final do ano, partiu da Alemanha para o Brasil, para Campo Grande, onde irá iniciaros estudos de filosofia, na Lagoa da Cruz.

Era inspetor da Alemanha o saudoso Pe. João Greiner que já estivera na inspetoria de Mato Grosso como missionário, onde trabalhara por muitos anos. Através da pessoa desse inspetor, os formandos devem ter tido muitas notícias sobre a atuação dos missionários no Mato Grosso. Assim compreende-se a vinda de muitos formandos alemães para a inspetoria de modo especial, no final da década de 1950.

Sua vocação missionária e o seu trabalho nas várias casas da inspetoria

No final de 1952, chega ao Brasil para iniciar os estudos de filosofa. Sua destinação foi a Lagoa da Cruz para iniciar essa etapa formativa juntamente com os outros salesianos jovens; terá que aprender a língua portuguesa e adaptar-se à nova vida. Porém, para ele que passara tanto tempo como prisioneiro, os estudos e a adaptação à cultura e língua brasileiras não seriam grandes problemas. Em 1956, após o encerramento do curso de filosofia, foi designado para ser assistente e professor na escola Agrícola São Vicente, que mantinha um internato para mais de trinta garotos, também na Lagoa da Cruz. A atividade para os alunos era cuidar das plantações e da lavoura; esse trabalho combinava bem com os banhos nas represas, com os jogos de futebol e com estudo bem exigente. Foi assistente e professor na Lagoa da Cruz por dois anos seguidos. Em 1958, realiza o terceiro ano de tirocínio prático no colégio de Lucélia, em meio aos alunos internos e externos. Um colégio típico do interior de São Paulo no auge do plantio de café; havia cafezais para todos os lados. Essa cultura perdurará até ofinal dessa década, depois será substituída por pastagens e outras lavouras. Em Lucélia, foi assistente dos internos e professor.

Como era costume naquele tempo, no final da Assistência, acontecia a profissão perpétua. Como havia professado e renovado conforme as datas da Europa, sua profissão perpétua aconteceu no meio do ano. No dia 17 de julho de 1958, aconteceu em Campo Grande, Lagoa da Cruz, a santa missa em que fez a sua profissão perpétua.

Uma vez encerrada a etapa de formação da Assistência, foi para São Paulo, em 1959, para iniciar os estudos teológicos. Até 1962 permanecerá no estudantado da Lapa para os quatro anos de estudos; conviveu com mais de 80 estudantes salesianos de todas as inspetorias do Brasil. Convivência alegre e marcada pelos trabalhos pastorais nos finais de semana. Pe. Filipe cursou em paz seus quatro anos de teologia e foi ordenado sacerdote no dia 8 de dezembro de 1962, juntamente com seus colegas de turma, ainda segundo o rito antigo; pois o Concílio Vaticano II iria ter início no ano seguinte. As reformas da liturgia ainda não tinham sido estudadas nem alguma norma modificara o ritual dos sacramentos.

Após sua ordenação sacerdotal, foi designado para retornar para trabalhar no colégio e na paróquia de Lucélia. Trabalhou como professor e assistentes, porém, auxiliando os trabalhos pastorais na paróquia. O colégio foi fechado em 1970, permanecendo somente a presença salesiana na atividade paroquial. A Igreja matriz, imensa e alta não havia sido ainda terminada; Pe. Franscisco Mahr havia iniciado o projeto de uma igreja descomunalmente grandiosa, imensa e alta. Mais tarde, os salesianos tentaram diminuir o projeto em extensão e altura, mas terminaram-na assim mesmo, bela e imponente matriz da cidade de Lucélia.

Em 1964, Pe. Felipe foi designado para trabalhar em Alto Araguaia; colégio para internos e externos, trabalho paroquial e em algumas capelas rurais. Nesse ano, atuou como catequista na animação dos internos, dos externos e auxiliou no trabalho paroquial, de modo especial nas desobrigas rurais. Permaneceu em Alto Araguaia somente no ano de 1964. Foi designado para a casa de Araçatuba, no noroeste do estado de São Paulo, deixando o Mato Grosso. Porém, a crise economica do interior de São Paulo e a questão da ditadura no país modificaram muito a feição das obras e do modo de trabalhar. Por dois anos exerceu a função de ecônomo da casa. Havia, no colégio, alunos internos e externos. Os dormitórios dos internos ainda funcionavam no prédio antigo, porém no prédio novo aconteciam as aulas para todos os alunos. Depois de dois anos, deixa seu trabalho de ecônomo para iniciar a presença salesiana em Maracaju, em 1967. O novo inspetor, Pe. Leonardo Jacuzzi, tinha a intenção de fazer em Maracaju um novo aspirantado. Uma fazenda fora adquirida ao lado da cidade, onde se construiu, sob a gestão do Pe. Constantino de Monte, um colégio para externos que funcionaria como escola estadual. Os salesianos assumiram a paróquia. Pe. Filipe foi um dos primeiros párocos salesianos da cidade de Maracaju; também auxiliou inicialmente o funcionamento da escola, sendo professor, quando necessário. Permaneceu em Maracaju como pároco até 1970. Depois, foi designado pároco da paróquia São Gonçalo de Cuiabá. Deu-se muito bem com povo cuiabano. Trabalhou incansavelmente no atendimento ministerial nas várias capelas e nos hospitais. Procurou expandir a presença religiosa, construindo capelas novas quando dentro do território surgia um novo bairro. Notifica-se o início do grande crescimento de Cuiabá e deVárzea Grande; o aumento populacional da cidade nessa época foi extraordinário. Muitos fatores determinaram esse crescimento de Cuiabá: a separação dos dois estados, a vinda dos imigrantes do sul e a implantação da tecnologia no campo, com o desenvolvimento da agricultura mecanizada. Pe. Filipe exerceu sua atividade de pároco na paróquia S. Gonçalo, até 1978. Em seguida, foi designado pároco da cidade de Indápolis; ao lado da escola agrícola,fundada pelo benemérito Pe. André Capelli, os salesianos tinham a paróquia principal do povoado e atendiam inúmeras capelas até bastante distantes, que mais tarde se tornaram outras paróquias. A população de Indápolis era originária da reforma agrária promovida pelo governo de Getúlio Vargas. Com a terra muito fértil, os colonos produziam bem, de modo especial milho, soja, feijão, trigo. Nos lotes da propriedade da escola foram feitas, além da casa antiga para alojar os internos da escola, outros prédios: um para a escola e, o mais alto, para a instalação de um moinho de trigo. Infelizmente, esse projeto não teve o sucesso esperado por questões de políticas governamentais. Pe. Filipe, ao lado do Pe. André e de outros salesianos, atendiam com gosto a população muito simples e acolhedora.

Em 1985, foi designado pároco da paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora da obra do Paulo VI, na cidade de Campo Grande; trabalha com afinco para atender devidamente o bairro e o imenso território da caráquia, pois a cidade crescia com rapidez para aquela região. Muito trabalho, em especial, foi necessário iniciar uma série de construções de igrejas nos bairros próximos que um dos seus sucessores, Pe. Mário Panziera, delimitará melhor e ampliará o número dessas capelas.

No Paulo VI, além da paróquia, a atividade salesiana se intensifica com a escola estadual Rui Barbosa, com as inúmeras comunidades e com o oratório para os jovens. A comunidade teve sempre ali um trabalho muito grande em prol da população e dos jovens. Pe. Filipe permace aí os tres anos regulamentares para ser transferido, em 1990, para a cidade do Barra do Garças. Vai auxiliar o pároco no atendimento da paróquia que também tinha muitas capelas em bairros mais distantes e exigiam uma presença contínua.

Capelas que mereceriam já serem paróquias, mas que por falta de sacerdotes na cidade, os salesianos as atendiam.Pe Filipe trabalhou aí como auxiliar de pároco por três anos. Em 1994, vai para Rondonópolis, onde os salesianos haviam assumido uma paróquia muito extensa e também haviam iniciado uma obra social muito significativa. Como auxiliar do pároco atendia às comunidades mais distantes no território da paróquia. Depois de três anos segue para Cuiabá onde estivera como pároco, para trabalhar como auxiliar na paróquia de São Gonçalo. Já conhecendo o estilo de atendimento e os costumes do povo, deu-se muito bem no atendimento das comunidades mais distantes da sede e no atendimento dos doentes. Permanece em Cuiabá, de 1996 até 1997, quando sofreu um acidente e ficou três meses sem memória. Então, meio adoentado e necessitado de assistência mé¬dica mais constante, recuperou-se na casa inspetorial. Em seguida, foi transferido para a casa do Pós-Noviciado de Campo Grande, como auxiliar do pároco. Foi a sua última transferência; vai trabalhar continuamente conforme a saúde lhe permitia. Auxiliou no atendimento das numerosas capelas, onde as comunidades já o conheciam de tempos anteriores. Muito estimado na comunidade, lutou contra sua doença de forma muito simples; trabalhou até o dia em que pôde se locomover e atender o povo. Principalmente nos últimos tempos, tinha-se constituído ao lado do Pe. Mário Pellattiero como confessor muito solicitado pelos irmãos salesianos.
Seu falecimento ocorreu na tranquilidade e suavidade como conduzira sua vida, sempre. Muito sereno e tranquilo, trabalhador e cordato, tornou-se o exemplo de sacerdote que fez de seu ministério uma presença querida e estimada onde quer que estivesse.

A atividade sacerdotal com generosidade e coração grandioso notificaram a vida do Pe. Filipe.

Durante toda a história de sua vida sacerdotal na inspetoria, por todas as comunidades por onde esteve e trabalhou, ele sempre se deu bem com todos, com os salesianos na vida comunitária e com os fiéis das comunidades atendidas por ele. Esse foi um dos traços fundamentais que caracterizaram a sua vida sacerdotal, o exercício de seu ministério sacerdotal em prol das comunidades. Sentia-se bem em todas as regiões, sabia ater-se com as pessoas mais simples, sempre respeitou a cultura de cada comunidade ou lugar. Estava ali para exercer o seu ministério presbiteral em benefício da comunidade. Mediante essa postura pessoal, soube expressar apreço e satisfação por poder trabalhar ali, para aquela comunidade. Dessa forma, sua linguagem pessoal para com as pessoas era simples e cheia de gentileza e acolhida a ponto de todos se sentirem bem, aceitos e prestigiados por sua maneira de ser e acolher os fiéis. Estar bem naquele lugar, estar a serviço daquela comunidade era a sua disposição interior e tentava corresponder aos anseios daquela comunidade. De forma idêntica, sempre foi acolhido e estimado por todos.

Aprendeu a falar a linguagem do povo onde estava trabalhando; atuou sem implicar e sem exigir coisas impossíveis. Estava presente para manter a comunidade unida. Pontual, as celebracões seguiam o ritmo de sua simplicidade.

Pode-se concluir que a simples presença do Pe.Filipe sempre falou mais que qualquer insistência ou ensinamentos especiais. Agia com compreensão e era compreendido pelas comunidades. A constância de sua presença se traduzia em amabilidade por tentar sempre atender a todos em suas questões e pedidos especiais.

Enquanto teve saúde boa, manteve a marca pessoal de sua orígem: o trabalho no campo. Tinha uma quase necessidade de pegar uma enxada ou um facão ou uma vassoura e trabalhar nos arredores das capelas. Se fosse necessário, carpia, podava as plantas e cuidava para que tudo estivesse limpo. Manifestava apreço por um trabalho com a terra e que lhe exigisse esforço para cortar, limpar e carpir. Sempre com o seu chapéu de palha, trabalhava solitário por um bom tempo e retornava depois para as celebrações. Essa atitude foi uma marca pessoal,afinal tinha gosto pelo trabalho que exigisse um pouco de esforço e que servisse de exercitação do próprio corpo.

Nos últimos vinte anos de sua vida,de modo especial quando esteve como pároco no Paulo VI, em Campo Grande foi sempre requisitado como confessor dos salesianos, regularmente e nos retiros anuais. Da mesma forma, nos encontros de jovens sempre estava presente nos momentos da confissão. Ao lado de outros salesianos mais idosos, ele se constituiu em um dos mais requisitados para ser o confessor, quer de formandos, quer de salesianos das comunidades por onde passou. Apreciado também porque sempre se dispôs a atender atodos e a qualquer momento.

Como qualquer pessoa, tinha também alguns dissabores devido às perturbações de algum salesiano que o importunava. Porém, sofria esse constrangimento calado e sem demonstrar nada externamente.

Como foi sempre muito respeitoso da vida dos irmãos, por qualquer motivo que se sentisse constrangido, sentia e ficava indignado, mas permanecia quieto e a tudo suportava com espírito de resignação.

Pe. Ademir, em conversa com o Pe. Filipe, pôde constatar a grandiosidade de alma e de coração que sempre o animara no trabalho e na dedicação para com todos. No final da vida, resumia as suas atitudes de profundo respeito e de alegria para com todos, mantendo uma postura de simplicidade e de serenidade em tudo. Gostava de rezar e, quando não podia, pedia para que o auxiliassem ao menos rezar o santo terço diariamente. Toda a sua postura manifestava o apreço pelo seu trabalho sacerdotal. Preparava com cuidado as homilias e guardava algumas pequenas recordações de tempos significativos de sua vida. Assim conservou o lenço com que cobrira as mãos ungidas com o óleo sagrado e o convite de sua ordenação sacerdotal. A convivência do Pe. Ademir nos momentos finais de sua vida, de fato, permitiu que ele viesse a perceber a grandeza do coração simples e amoroso do Pe. Filipe. A conclusão do Pe. Ademir testemunhou a grandeza de tudo na vida do Pe. Filipe: “Demonstrou o seu imenso amor ao ministério sacerdotal, que viveu com fidelidade e dedicação. Um homem realmente santo.”

Faleceu na manhã de um domingo, no dia 8 de junho de 2008, aos 84 anos, efoi acolhido com grande alegria junto de Deus. De sua família somente estavam vivas as duas irmãs mais novas com quem, de vez em quando, mantinha correspondência.

A marca principal de sua vida salesiana e sacerdotal foi o trabalho silencioso; não reclamava de nada em seu ministério sacerdotal. Pronto para qualquer emergência, realizava suas tarefas com gosto, tudo dentro de uma regularidade germânica. Em tudo refletia a sua satisfação de viver como sacerdote salesiano; de uma piedade simples e compenetrada transparecia sua satisfação no zelo por tudo que pudesse realizar. Zelo que se traduziu em simplicidade e alegria; de sorriso simples e de fala suave, gostava de uma conversa também simples, marcada pela serenidade e pela jovialidade de suas ponderações.

Como já se afirmou, era muito difícil encontrar o Pe. Filipe alterado ou atribulado; foi muito respeitoso para com os irmãos salesianos da comunidade; tinha apreço por cada um em sua função e em seu campo de trabalho. Estava pronto para auxiliar quando solicitado, ou quando fosse necessário. De convivência positiva e serena, sempre foi uma presença promotora da paz e da simplicidade no cumprimento dos deveres de cada comunidade onde esteve inserido.

A vida do Pe. Filipe somente veio trazer grandeza e nobreza de alma e de coração para com os fiéis por onde foí pároco ou auxiliar de pároco. Para a inspetoria, sua atuação, sua história foram mais que exemplares, pois trabalhou muito como sempre desejou o nosso Pai Dom Bosco, tornando-se um salesiano que construiu uma história muito digna, conforme o espírito salesiano. Que junto de Deus e ao lado de Dom Bosco interceda pela inspetoria e por todos nós.

Corumbá, 22 de junho de 2010.

Pe. Afonso de Castro

 

***

Nascido em Altheim - Alemanha: 2 de dezembro de 1924
faleceu em Campo Grande/MS - Brasil no dia 8 de junho de 2008
Aos 84 anos de idade incompletos
45 anos de sacerdócio
52 anos de profissão religiosa
 

Irmãos Falecidos
Filtros:
Nome: Por ordem:
Ano: Mês:
Salesianos falecidos: 277. Listando de 1 a 40
Salesiano Falecimento Idade Local do falecimento
Ir. Acúrsio Schinelli 26/09/1972 43 Araguaiana
P. Adálgiso Pio Maestro 12/09/2002 83 Campo Grande
P. Afonso Barone 05/11/1979 70 Cuiabá
P. Agostinho Colli 14/03/1953 84 Cuiabá
P. Alfeo Levorato 14/05/2007 89 Campo Grande
P. Amado Decleene 28/05/1974 82 Cuiabá
Ir. André Serra 20/03/1965 51 Rio das Mortes
P. André Soltys 04/10/1981 82 Campo Grande
P. Angel Adolfo Sanchéz y Sanchéz 01/03/2008 75 Campo Grande
Clérigo. Ângelo Cricco 04/03/1911 37 Cuiabá - Coxipó
Ir. Ângelo Fossati 07/01/1973 73 Itália
P. Ângelo J. Venturelli 19/05/2006 90 Campo Grande
P. Ângelo Moser 12/08/1990 77 Itajaí-SC
Ir. Ângelo Sordi 05/04/1956 82 Cuiabá
Ir. Ângelo Spandri 01/11/1981 70 Guiratinga
P. Antônio Achilli 03/05/1986 77 Itália
Ir. Antônio Aparício 04/12/1967 90 Campo Grande
Ir. Antônio Baldi 19/10/1911 29 Barreiro
D. Antônio Barbosa 03/05/1993 82 São Paulo
Ir. Antônio Capelli 03/04/1982 66 Itália
Salesiano Falecimento Idade Local do falecimento
P. Antônio Colbachini 12/03/1963 79 Itália
P. Antonio Dalla Via 11/08/1956 86 São José dos Campos
P . Antônio de Bella 19/11/1903 57 Lorena
P. Antonio de Lourdes Ledo 22/07/2007 78 São Paulo
Ir. Antonio Gama 10/10/1964 74 São Paulo
Ir. Antônio Guerrero 05/10/1959 67 Cuiabá
P. Antônio Kuczerowski 20/11/1971 72 Campo Grande
E. Antônio Lustosa 14/08/1974 88 Carpina
E. Antônio Malan 28/10/1931 67 São Paulo
P. Antônio Marcigaglia 04/06/1966 85 Araxá, MG
P. Antônio Maria Franco 08/08/1946 70 Campo Grande
P. Antônio Marto 25/11/1930 49 Coxipó
P. Antônio Ragogna 07/03/1963 87 Estados Unidos
E. Antonio Sarto 01/01/2008 82 Campinas
P. Antônio Secundino 20/03/2005 85 Indápolis (Dourados) MS
P. Antônio Tomé Colussi 27/08/1994 82 Cuiabá
P. Antônio Wasik 08/04/1954 44 Campo Grande
P. Arcângelo Moratelli 08/06/2003 87 Santa Rosa-SC
P. Ariento Domenici 25/12/2004 83 Araçatuba
P. Armindo de Oliveira 23/12/1918 36 Cuiabá
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