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Beatus Volkmar Tola, missionário indonésio, fala sobre a sua experiência no Brasil

4 de Janeiro de 2018

Meu nome é Beatus Volkmar Tola. Venho da Indonésia, ilha de Flores e cheguei ao Brasil em 2014, com 26 anos. A minha experiência de comunidade salesiana e de vida de oração na Indonésia foi muito bonita. De fato, para mim, a vida de comunidade ajudou-me muito a crescer todos os dias através da experiência, das mensagens e dos testemunhos dos meus irmãos que vi e escutei.

A vivência da minha vida comunitária sempre me orientou bem até agora, apoiou-me quando não estava bem ou estava triste. Outra coisa é a vida de oração. Para mim, a vida de oração é muito importante, porque no ambiente de oração encontrei a minha existência como alguém que sempre precisa da ajuda de Deus. Depois, entendi que Deus está me falando de muitas maneiras e escuta todos os meus lamentos, sofrimentos e alegrias. Sempre recordo aquilo que o nosso pai Dom Bosco dizia muitas vezes: as vocações só são conservadas com a oração; quem abandona a oração abandonará certamente a própria vocação.

O Brasil pelo que eu conhecia antes da minha chegada era um grande país, muito famoso pelo futebol. Quando cheguei ao Brasil, estava confuso porque não entendia o que diziam ao meu redor os meus irmãos e a minha comunidade salesiana. Passei meu primeiro ano de formação prática na aldeia de Boeri-Bororo, Meruri (Mato Grosso). Na primeira vez que fui até lá, os Bororo acolheram-me com grande alegria, esperando obviamente que lhes pudesse dar alguma coisa. Assim, aceitei o desafio, porque antes de tudo não sabia ainda como falar ou entender a língua portuguesa. Depois, estava com pessoas que têm cultura e língua diferentes do português. Com essas limitações, optei por escutar, escutar e recitar. Escutando e recitando, procurei participar de todas as atividades, tanto as organizadas pelos Salesianos, como pelos líderes indígenas. Outra coisa interessante foi quando participei do ritual da cultura deles. Lembro-me de um dia dos índios, quando eu e o Bororo fomos à floresta para recolher vários materiais (lenha para o fogo, folhas de palmeira, frutos para pintura, etc.).

Durante o tempo em que fiquei com eles, fui capaz de aprender como trabalhar juntos, respeitar a cultura e entender mais profundamente o que é a esperança. Quando falo de esperança nesse contexto, penso que seja um valor que será sempre fonte de força para o jovem Bororo na busca dos seus grandes sonhos, enquanto muitas pessoas duvidam disso. A sua realidade e os seus sonhos suscitam sempre a minha fé e esperança, de que sempre há a possibilidade de dias melhores.

O meu interesse de ser missionário começou com um artigo sobre as aventuras e o duro trabalho dos Salesianos no Sudão, empenhados em favor dos oprimidos e dos negros. Li a notícia como aspirante. O que me motivou a ser missionário é que escutei e segui a minha consciência: “Vai àquele local, não tenhas medo, faze o que podes. O resto, Deus completaria!

Para os jovens ou para os Salesianos que desejam seguir o apelo missionário como o estou vivendo, eu diria: “Escuta e ouve a tua consciência e, depois, toma-a em oração! Quando entendes o que significa escutar, conheces muitas realidades que precisam do teu amor, especialmente a realidade dos jovens, dos pobres e dos abandonados. Eles precisam do teu amor para escutar”.

Fonte: InfoANS

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